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Com o coração, o Jornalismo

Por Mariana Mondini, para Coletiva.net

A escolha pela carreira de Jornalismo, na imensa maioria dos casos, passa por uma vontade genuína de contribuir efetivamente para o desenvolvimento da sociedade. Desde estudantes, os futuros jornalistas costumam revelar uma forte inclinação para colaborar com a transformação do país, do estado, da cidade, do bairro, da vida das pessoas. 

No meu tempo de faculdade, colocar em prática esse apetite só era possível dentro de uma redação. “Jornalista raiz” era aquele que reportava, que estava nas ruas, que representava as comunidades. Na minha carreira, tanto no Diário Gaúcho, do Grupo RBS, onde trabalhei por cinco anos, quanto na BandNews RJ, do Grupo Bandeirantes, onde atuei por um ano e meio, persegui as boas histórias, as que podiam levar leitores ou ouvintes à reflexão ou até à emoção. Nunca tive veia investigativa. Meu negócio era dividir com o público um pouco da chance que estava tendo de conhecer determinado personagem ou narrativa. E, com isso, inspirar, uma palavra hoje tão clichê, mas que bem traduz o que estava presente naquela intenção. 

Em 2015, optei por fazer uma virada de carreira importante, trocando o tênis All Star, uniforme clássico de repórteres, pela sapatilha do mundo corporativo, em paz com as novas decisões, mas crente de que aquele movimento me desconectaria da essência da profissão. Um pré(conceito) dos mais clássicos. 

Todo esse preâmbulo para refletir que novos caminhos nem sempre significam mudanças de valores ou de crenças. Hoje coordeno a frente de Comunicação Institucional do Grupo RBS, que inclui Assessoria de Imprensa, Comunicação Interna e Gestão de Crise, e posso afirmar que nunca estive tão conectada a pessoas. Nunca foi tão importante, como em tempos como o que estamos vivendo, trabalhar para que a comunicação contribua para uma vida melhor. No Endomarketing, nem se fala. 

Já pensou no quanto o olhar sensível dentro de uma grande organização pode mudar os ponteiros, principalmente em tempos de crise e de novos modelos de trabalho até então não convencionais? Não esquecendo que Endomarketing e Recursos Humanos andam de mãos dadas nessa missão. 

Esses tempos li um artigo da Analisa Brum, CEO da HappyHouse e referência no tema no Rio Grande do Sul e no Brasil, que falava sobre as empresas não apenas se interessarem por cérebros, mas por corações. Ou seja, as companhias querem que as pessoas se envolvam emocionalmente com o trabalho. E esse é um terreno fértil para jornalistas como eu, ou profissionais de comunicação em geral (mas aqui faço questão de destacar os jornalistas), trabalharem e exercitarem aquilo que está na sua essência. 

Ora, se queremos corações devotados, precisamos dedicar tempo e energia para mantê-los aquecidos e pulsando em sintonia com o propósito da empresa. E como isso pode dar certo? A partir de uma estratégia que enxergue a dimensão humana e explore essa potencialidade em favor dos desafios. E aquele estudante de jornalismo que um dia pensou que faria a diferença somente por um viés tem uma gama de oportunidades para viver histórias e narrativas e, o principal, contribuir para novas. Afinal, o que nos une e nos move é a paixão por pessoas. Está no nosso DNA. 

Mariana Mondini é coordenadora de Comunicação Institucional do Grupo RBS.

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