Há pouco mais de três décadas, com os avanços propiciados pela tecnologia, muitos foram os especialistas que bradaram as transformações que aconteceriam na Comunicação. Como invariavelmente acontece, acertos, erros e exageros fizeram parte desse contexto. Naquela época, tínhamos mais repórteres na rua que hoje, mas não tínhamos o “pauteiro” WhatsApp que existe hoje. Ficou mais fácil? Talvez.
Na Comunicação Corporativa, as agências do “eu sozinho” eram o embrião das estruturas atuais. As organizações privadas ou associativas tinham fornecedores de propaganda, de eventos, de Relações Públicas e de assessoria de imprensa. Éramos, os jornalistas ou relações-públicas, os patinhos pobres da área. Enquanto os profissionais de propaganda comemoravam os contratos com fee de dois dígitos e muitas dezenas, os “feiosos” amargavam números muito abaixo. Muitas vezes, a melhor escolha era por uma campanha com filme para TV, spot de rádio e anúncios de mídia impressa, tudo focado na criatividade e vislumbrando uma premiação.
O relacionamento digital com os consumidores, a inovação e a transformação dos canais de comunicação fizeram com que as agências, de propaganda e de comunicação, mudassem. Com a gratidão de quem viu o tempo passar, assisto hoje o que defendi há quase uma década depois de um congresso da Mega Brasil, em São Paulo: teríamos que nos complementar. Como?
As agências de Propaganda deveriam ter jornalistas nos seus quadros. Os jornalistas e ou relações-públicas precisariam entender que não eram as mais eficientes opções para se falar com os públicos de interesse. Somos uma alternativa na “prateleira” de soluções. Teríamos que aprender sobre planejamento estratégico, ensinar sobre produção de conteúdo… enfim. Precisamos ser um todo.
Entendo que a Comunicação é hoje um grupo polivalente propondo soluções. Juntos, aprendemos e dominamos o analytics, a big data, o social media, os algoritmos, o e-commerce, o market place, os influenciadores digitais e tudo mais que não está, como um todo, em grande parte dos currículos das faculdades de Comunicação. Hoje, o mercado cobra profissionais polivalentes, de múltiplo conhecimento.
O empreendedorismo deixou de ser o bicho papão. A economia mudou tanto que não se trabalha apenas com grandes corporações: muitas vezes, as melhores informações estão nas pautas com startups, mais ágeis na sua movimentação. As organizações criam ambientes para encontrar soluções com jovens talentos. O release se transformou: é mais completo, e mais criativo, é mais assertivo. Mas não quero polêmicas, pois pode ser com release ou sem release. A informação precisa chegar em quem produz conteúdo para o consumidor final.
Faço parte de um grupo de pessoas que entende que, para ser qualificado, precisamos conhecer as bases da comunicação que nos trouxeram até aqui. Ser tech não significa ignorar o conhecimento das bases da Comunicação, de seus teóricos, dos critérios de noticiabilidade. Uma possibilidade é que signifique conhecer tudo isso e as relações humanas, os movimentos sociais, o fluxo das correntes de grupos, e tudo mais que nós, os artistas da comunicação – jornalistas, publicitários ou relações-públicas – nos aproximem dos dois públicos: organizações e formas de comunicação que falem com os públicos de interesse.
Almir Freitas é jornalista e diretor da Uffizi Comunicação e Relacionamentos.


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