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A comunicação que constrói pontes

Por Roberta Schuler, para Coletiva.net

A comunicação interna é um meio criado para favorecer o alinhamento dos colaboradores e lideranças à estratégia da empresa. São canais de comunicação que existem para engajar o público interno e fortalecer a cultura organizacional – as pessoas percebem a dimensão da sua atividade para o negócio quando são envolvidas e comunicadas com transparência. Essa é a melhor maneira de preservar e manter a essência de uma companhia: fazendo com que o seu propósito seja realidade, e não apenas um quadro bonito na parede. Com a pandemia, e todas as alterações causadas pela mudança no modelo de trabalho de muitos profissionais, garantir a efetividade do discurso voltado ao público interno tornou-se extremamente desafiador. 

Ao mesmo tempo, há uma pauta relevante sobre a mesa dos CEOs: o bem-estar das pessoas. Nunca se falou tanto na importância do capital humano como agora, quando boa parte dos escritórios e salões das empresas estão vazios, ou com equipes bastante reduzidas atuando presencialmente. Há, inclusive, companhias que já criaram cargos como analista de bem-estar e felicidade, tendo no horizonte que a performance e a relevância do negócio são sustentadas pelo pilar de recursos humanos. Um profissional realizado e feliz será mais forte e resiliente diante de momentos críticos como o que estamos enfrentando na atualidade.

A rádio-corredor, tradicional meio de comunicação extra-oficial nas empresas, não deixa de existir com a diminuição da convivência física. Migra para os grupos de WhatAapp, para os links das reuniões online depois do horário comercial e, aparentemente, a vida segue. A comunicação interna nunca extinguiu os ti-ti-tis. Porém, sempre colocou um ponto final nas suposições e achismos com discursos sérios, posicionados e com porta-vozes adequados. Hoje, é ainda mais importante calibrar o termômetro do clima organizacional. E isso só é possível quando se tem um interesse genuíno pelo público interno.

O escritório se fundiu com a casa das pessoas. A mesa das refeições, muitas vezes, é também a estação de trabalho — com uma cadeira geralmente inadequada para a jornada laboral. Aprendemos a tomar decisões importantes com o som do desenho animado das crianças ao fundo e conhecendo a intimidade dos colegas. Mas a câmera e o microfone que nos conectam à empresa e ao mundo corporativo, no entanto, precisam captar como, de fato, as pessoas estão trabalhando nesse novo formato. E não me refiro a resultados — porque em grande parte dos setores houve a superação de limites e os números são positivos —, mas, sim, como estão se sentindo e quais são as suas reais necessidades. 

Esse é o compromisso que precisa ser assumido pelas empresas hoje. Um planejamento voltado para o público interno só é efetivo quando tem a sua origem na caneta de quem decide. A partir daí, chega às lideranças e, com o olhar do profissional de comunicação, é criado o elo que mantém os colaboradores ligados, mesmo à distância. Nossa criatividade, proatividade e alta performance dependem da proximidade que conseguirmos estabelecer neste novo ambiente virtual corporativo que a crise sanitária nos impôs. E a Comunicação nos permite construir essa ponte.

Roberta Schuler é jornalista e assessora de comunicação na Critério — Resultado em Opinião Pública. 

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