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Vamos voltar a ser ou seguir enaltecendo o que parece?

Por Sâmela Lauz, para Coletiva.net

 Noruega aprovou recentemente novas emendas à Lei de Marketing que vigora desde 2009 no país, tornando ilegal que influenciadores compartilhem fotos editadas nas redes sociais sem avisar seus seguidores. Quem desrespeitar a nova regra pode ser multado e, em casos extremos, ser preso. Ao que parece, inicialmente, o projeto recebeu amplo apoio da comunidade de influenciadores locais. Vários deles afirmaram que a iniciativa traz um senso de realidade à ideia de corpos inatingíveis e evita que os filtros tenham um impacto negativo sobre a autoestima das pessoas. 

Pelo mundo afora, inclusive no Brasil, percebemos um esforço – em especial de marcas ligadas à moda feminina – para romper com a imposição de padrões estéticos, com diversificação de personagens e apoio a movimentos como o body positive (positividade corporal) e body neutrality (neutralidade corporal). Enquanto o body positivity incentiva o amor próprio basicamente focado na aparência, a outra perspectiva sugere que nos preocupemos menos com a imagem e foquemos mais nas experiências que o corpo pode proporcionar. 

O fato é que, ainda assim, percebemos a popularização de uma aparência inalcançável pela maioria das pessoas “comuns” – vide a quantidade de procedimentos estéticos aumentando a cada ano, entre homens e mulheres.

Ainda que camuflada no estilo de vida dito ‘saudável’, o mundo perfeito dos influenciadores digitais forjou ainda mais a ideia de que o padrão de beleza pode ser alcançado. Transformações estéticas drásticas acabam se tornando comuns, inclusive para os adolescentes e o corpo se torna um objeto para a apreciação coletiva.

Influenciadores sempre existiram ao longo do tempo, mas as redes sociais democratizaram a oportunidade de gerar desejo e vender produtos, a partir da exposição da imagem, a qualquer pessoa com acesso a um smartphone e à internet. O Marketing de Influência é revolucionário e poderoso, mas vem com uma grande responsabilidade – e aqui um alerta, em especial para os profissionais que atuam na área: como estamos reagindo ao movimento acelerado de humanização das marcas e de robotização das pessoas? De que maneira podemos contribuir para a tão buscada saúde mental dos usuários?

Na minha opinião, precisamos, sim, de regras como a que a Noruega aprovou. Não podemos seguir evoluindo tecnologicamente sem que a ética acompanhe. Não podemos banalizar os índices crescentes de depressão, vigorexia e outros transtornos relacionados à cultura de comparação aos corpos perfeitos. As pessoas decidem mostrar nas redes sociais o que parece – ou o que querem parecer. Mas a sociedade precisa com urgência do que é. Vamos voltar a ser ou seguir enaltecendo o supostamente perfeito?

Sâmela Lauz é jornalista e coordenadora de Atendimento na Camejo Estratégias em Comunicação.

 

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