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Pelo fim do marketing declaratório

Por Lucas Dubin, para Coletiva.net

Estamos começando mais um Choque de Cultura, um programa cultural, com os maiores nomes do transporte alternativo do País. E hoje, cinema!

É assim que Rogerinho, personagem de Caíto Mainier, dá início aos episódios do Choque de Cultura – programa que virou febre de audiência pelo humor non-sense, sacadas criativas e diálogos cheios de referências.

Eu, assim como milhares de brasileiros, sou um grande fã. Acho o programa genial, assim como os personagens Rogerinho, Maurilio, Julinho e Renan. Depois que conheci o Choque, comecei a acompanhar também as pessoas que dão vida a ele.

Sempre que posso, ouço podcasts, vejo vídeos ou assisto a qualquer conteúdo que um dos integrantes participa. E foi ouvindo a última entrevista do Caíto (Rogerinho) para o Xadrez Verbal que tive a ideia de fazer esse texto.

O Caíto diz que é aficionado pelos diálogos na hora de montar uma cena. Para ele, uma das coisas mais importantes para que o conjunto da obra fique legal é que o diálogo não seja declaratório. Ou seja, a fala não deve dizer necessariamente o que o personagem está fazendo. Dessa forma, a conversa ganha novas dimensões. Como exemplo, ele cita uma fala do Renan, um dos personagens, que diz:

– Várias coisas me irritam, Rogerinho. (…) É pedestre atravessando em cima de não

sei o que, é um policial que não tem troco (…).

Quando se fala “um policial que não tem troco”, segundo Caíto, é contada uma história. Dessa forma, o personagem diz muito mais sobre quem ele é, sobre sua personalidade e sobre sua maneira de agir, do que se falasse:

– Eu pago propina pra policial.

Trazendo esses conceitos para a comunicação, penso que muito do Marketing que está sendo feito hoje é declaratório. Quantas vezes já não assistimos a uma propaganda com a fala: “Somos uma empresa sustentável”, ou ainda: “Aqui, acreditamos na diversidade”.

Estamos em 2021, e acreditar na sustentabilidade e na diversidade é o básico para qualquer empresa.

Ao invés de declarar, poderíamos mostrar.

Eu mesmo, como redator, já fiz diversos textos declaratórios. E óbvio que se posicionar é importante. Mas a impressão que tenho é que hoje em dia as empresas se importam mais em fazer marketing em cima da diversidade do que incluir esses assuntos de forma mais orgânica no dia a dia.

Não podemos só trazer um casal homossexual como personagem principal quando o assunto for orgulho LGBTQIA+, mas, sim, quando formos retratar uma família. Não deveríamos ver propagandas com mulheres negras quando tratamos apenas de diversidade racial, mas, sim, sobre pessoas em posição de liderança. E as empresas que se consideram sustentáveis não precisam dizer isso sempre, basta tomarem decisões práticas que impactem positivamente o planeta.

Não é necessário declarar a toda hora que tipo de empresa se é. O importante é mostrar. O público sabe a diferença entre falar e fazer – e isso é cada vez mais evidente.

Lucas Dubin é publicitário.

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