Você deve estar se perguntando: o que é isso? Nunca ouvi essa palavra! Pois é, nem eu. Veio à cabeça quando comecei a digitar… Bom, também vou tentar entender e explicar; mas, para isso, preciso viajar para os anos 30 e 40, do século passado.
Naquele momento – em especial, no Brasil -, famílias inteiras ficavam ao redor do rádio para rir, se emocionar e até para se divertir. PRK-30 e ‘Edifício Balança, Mas Não Cai’, foram programas que formaram gerações em torno dos aparelhos valvulados que emitiam áudios.
Até que, em 1950, o notório jornalista e empresário Assis Chateaubriand trouxe os primeiros 200 aparelhos de televisão para o Brasil – seria o bastante para começar a enterrar o meio rádio? Pelo visto, não.
Alguns programas e seus artistas radiofônicos migraram para o novo meio com imagem. Mas, para se popularizar, a TV levou alguns longos anos… Pulando para meados dos anos 90, chegamos à Rede de Alcance Mundial. Pronto: mais um motivo para gerar dúvidas de como os outros segmentos da mídia – não só o rádio -, conseguiriam se adequar ao – literalmente – novo meio de comunicação.
Chega de história. Vamos aterrissar no século XXI.
A reflexão que quero gerar em você, que chegou até aqui, é a ordem de importância, o que realmente é prioritário, independentemente do meio de comunicação: humanos (certos), CONTEÚDO, tecnologia, estratégia, planejamento e distribuição.
E o que seriam “humanos certos”? São menos indivíduos trabalhando; porém, os “melhores humanos”. Aqueles que buscam se adequar a todas as transformações e suas consequentes e aceleradas mudanças. Para mim, esse ponto sempre foi óbvio… Tomara que comece a ficar para você também, por isso, te convido a refletir.
O “CONTEÚDO” está escrito em caixa alta mesmo, e não é à toa. É para reforçar o entendimento do que realmente interessa neste mundo, seja hiperfocal ou em nível estratosférico. Há muito tempo já não basta – apenas – o valor ou tradição de uma marca para convencer, distribuir e vender um conteúdo. É obrigatório que ele desperte interesse. Para isso, é preciso ter valor, fazer sentido para um segmento, para outros seres humanos, para engajar, fazer rir ou, até mesmo, emocionar.
Às portas dos 50 anos, consigo perceber o quanto sou privilegiado por estar vivendo neste tempo, com o dedo cravado no F5, buscando interpretar toda a mudança no comportamento de consumo e nos novos hábitos humanos.
Há cinco anos, dizia em minhas palestras que uma década levava dois anos para passar. Hoje, leva seis meses… Isso é motivado pela tecnologia, outro braço importante dessa lógica. Como podemos ter vivido tanto tempo sem um smartphone? Certamente, você já se questionou sobre isso, né?
No entanto, esse questionamento acaba sendo equivocado, já que “tempos” diferentes requerem soluções distintas. Um exemplo disso é que, atualmente, vivemos uma era que transborda a informação, é a era dos dados (cuidado com a LGPD!) e, também, da criação, do customizável, do inédito, de subvertermos algumas regras para fugirmos do famigerado lugar-comum, de misturar o “velho” com a tecnologia.
No meio disso tudo, é preciso muita humildade para reconhecer que as soluções não estão, necessariamente, na mente individual, mas, muitas vezes, no coletivo. Para que isso aconteça com fluidez, é primordial o papel de lideranças aderentes à prática da “horizontalização” das relações de trabalho, nos ambientes freneticamente mutantes (parafraseando o querido Dado Schneider). A disrupção (termo que já está antigo) se dá com essa prática.
O que tenho percebido no mercado, além da exponencial redução das estruturas, é a falta de investimento no que realmente importa e pode dar fôlego para as operações tradicionais: apostar em profissionais, líderes que interpretem – amplamente – as transformações do mercado e do comportamento de consumo.
Tá, Luciano, mas porque “ráudio”?
Porque o rádio serve para ilustrar o que chamamos de “plataforma de distribuição de conteúdo, em áudio”, e, sobrevivendo à revolução tecnológica, acabou se adaptando e se tornando algo muito mais amplo do que se imaginou na sua criação. Sacou?
Isso nos leva à conclusão de que o “meio” não é o mais importante; e a relevância quem dá é o CONTEÚDO, mesmo em um universo de infinitos podcasters, influencers e “geradores de conteúdo”.
Em verdade, hoje, o canal de distribuição é mero detalhe, pois são muitos os canais disponíveis e o mais “relevante” muda de nome a todo instante.
Após essa reflexão, tenho uma boa e uma ótima notícia.
A boa é que o rádio NÃO VAI ACABAR, como você já deve ter concluído. A ótima é que é possível fazer rádio, hoje em dia, do jeito que a gente quiser, incorporando diversos outros elementos da comunicação e customizando sob demanda, para atender a diversos segmentos. Sendo produzido por quem sabe fazer rádio, esse meio seguirá se adaptando e se tornando cada vez mais relevante, e o melhor, sem as limitações do sinal tradicional.
Por isso, aqui vai uma dica: radiodifusores, concentrem energia e investimento no que os levará para frente e não no que está o puxando para baixo (qualquer DRE mostra isso a vocês). Revejam suas estratégias e continuem possibilitando vida longa ao rádio; o que significa adequar-se ao momento presente e mirar no futuro, pois o rádio, como “jurassicamente” conhecemos, está na UTI.
O que podemos concluir, então? Que o ouvinte segue aí, querendo ouvir o CONTEÚDO pelo rádio ou áudio, sempre de uma maneira diferente, na hora que ele quiser. Ele seguirá fazendo sua escolha, exigindo a evolução de um dos meios de comunicação mais antigos do mundo.
Luciano Costa é sócio-fundador da Exponencial Pessoas & Negócios l Comunicação & MKT.


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