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O turismo além dos destinos: a prática vista como estratégia comunicacional

Por Paola Marie Vitaca, para Coletiva.net

Vivemos em um mundo de aproximadamente 7,8 bilhões de habitantes, dentre estes, são colaboradores inseridos no mercado de trabalho, cumprindo a sua jornada dia após dia, fazendo parte da grande engrenagem da vida. São mulheres e homens que movimentam diversos setores dinamizando produtos, marcas e serviços, conduzindo e propagando padrões de comportamentos e de concepções, com esse movimento a globalização gera economias e fortalece as potências.

A cada dia, pessoas vivem suas jornadas, sonham, desejam e consomem. A cada hora, pessoas conquistam, mudam percursos da sua vida e, a cada minuto, recém-nascidos chegam com propósitos, potencialidades e dons, carregando consigo a necessidade humana de se expressar: a comunicação. Portanto, todos os dias, formam-se famílias, pessoas constituem papéis sociais e promovem a alteridade entre elas, proporcionando vivências por intermédio das representações. 

Para o autor Goffman (2002), vivemos na sociedade da eterna constituição, divulgação e propagação coletiva (influências), cultural e de estímulos sob as lentes do imaginário social, ou seja, vivemos na sociedade das aparências. Procuramos pertencer à teia simbólica “do em comum” (redes sociais), que, para o teórico Maffesoli (2001), as comunidades são construídas a partir de objetivos particulares similares, os quais propõem a junção das pessoas que compartilham das mesmas percepções e ideais constituindo os movimentos sociais.

É pensando na complexidade do mundo, na comunicação entre as pessoas, nos estímulos influenciados pelas estruturas biopsíquicas, meio cósmico e social (Durand, 2012), que o mundo produz sentido e faz história. Ao pensarmos em nosso cotidiano, observamos que as experiências e lembranças auxiliam na construção do sujeito, pois somos compostos de significados, os quais produzem as simbologias, as interpretações diante das situações e a forma sedutora como narramos e divulgamos.

Assim, os sujeitos experimentam, sorriem, interagem, amam e se relacionam, constituindo a sua vida diante da compreensão que cada dia é singular, o que levaremos de forma intensa poderá ser materializada em forma de relatos. Eis a sociedade do real e irreal, do consumo e das estratégias comunicacionais e virais.

Vamos falar da prática do encantamento?

Com este pensamento, que o turismo atua como ferramenta estratégica comunicacional, há mais que vivenciar os destinos, os viajantes atribuem significados à experiência e a entendem como mágica, sedutora e pertencente ao intercâmbio cultural, que é percebido como vital para a humanidade. 

Diante da aquisição da experiência turística, o viajante se percebe envolto a aspectos cognitivos, estabelecidos entre a satisfação e o encantamento, os quais evidenciam sensações referentes à necessidade, ao desejo e ao querer. Ao entender que o consumo faz parte das nossas vidas, o turismo se fortalece na perspectiva da transmutação em que o viajante se torna o protagonista da sua jornada e o detentor do discurso narrativo.

À medida que a experiência se torna intensa, os estados emocionais avaliam que tipo de vivência o viajante está tendo e, se for positiva, a emoção atingirá o encantamento. Seguindo o entendimento que os destinos arquitetam e planejam atratividades para dinamizar e propagar sua prática, compreende-se que é através das plataformas midiáticas que as narrativas criam articulações por meio de influenciadores, os quais geram e potencializam desejos e encantamentos.  

Ao pensarmos que a virtualidade compõe o processo de ressignificação das informações, ou seja, o que foi transmitido já foi interpretado e ressignificado, se leva em consideração que os destinos não apenas encantam por suas belezas, e sim por uma arquitetura planejada e uma comunicação articulada. Neste sentido, o que Goffman aponta sobre a constituição dos papéis faz sentido quando o influenciador age através das plataformas digitais, vestindo a roupagem de guia ou de referência sobre o destino turístico.

Desta forma, se estabelece uma relação intensa entre o destino, viajante e influenciador. Assim, nas plataformas digitais, os seguidores irão optar por assuntos de comum interesse, estando imersivos ao mundo digital, imaginal e das narrativas (curtindo, compartilhando e interagindo), e, igualmente, pelo influenciador que detém de estratégias e articulações midiáticas. Sendo assim, relacionamos as perspectivas de Michel Maffesoli sobre a cola da pós-modernidade (grupos de interesses) e as interpolações que remetem às dimensões do real e do irreal de Gilbert Durand. 

Desta forma, o turismo atua na complexidade e subjetividade do viajante, dentre as interações comunicacionais, desafia-se a estimular fatores psicológicos e cognitivos que atribuem significações à experiência turística e, com isso, transmitem o quanto é singular as vivências. Sendo assim, é através do turismo, da comunicação, da virtualidade, dos fenômenos midiáticos que desencadeiam processos, que acionam a memória e, por consequência, projetam as narrativas de encantamento, as quais relatam enquadramentos e emoções sob a ótica do viajante, seguindo a lógica do consumo e das marcas mencionadas pelos influenciadores e destinos. 

Como vimos, o turismo não significa apenas o lazer, ele vai além. É a estratégia de encantamento que produz o desejo e a magia, dinamizando imagens de destinos e estimulando o viajante ao consumo.

DURAND, Gilbert. As estruturas antropológicas do imaginário. 4. ed. São Paulo: Martins, Fontes, 2012.

GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

MAFFESOLI, Michel. Sobre o nomadismo. Rio de janeiro: Record, 2001.

Paola Marie Vitaca é publicitária, mestre em Comunicação Social e profissional de Marketing.

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