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Imediatismo criativo: é tudo para ontem

Por Maria Eduarda de Liz Pergher, para o Coletiva.net

A cultura do imediatismo está transformando nossa maneira de lidar com o tempo. O presente deixou de ser uma consequência do passado, o instante é o que importa. É tudo ao mesmo tempo e para agora! A obrigação pessoal é de dar conta de tudo, sem nem mesmo priorizar, refletir ou planejar o que vem pela frente: é toque de caixa.

Esse comportamento reflete (e muito!) na publicidade e na comunicação, afinal, como manter-se criativo em um mundo em que precisamos ser rápidos, compreender, responder e, de quebra, ter ideias disruptivas e inovadoras? Conforme o mercado e o perfil dos profissionais vão se adaptando a essa realidade, perdemos no quesito criatividade e ganhamos na produção, afinal, ninguém quer perder o timming, mas em que momento o profissional criativo tem tempo para, no mínimo, diferenciar sua campanha, projeto ou ação em meio a milhões de telas, aplicativos e trends? Com o avanço tecnológico, a quantidade de ferramentas disponíveis para a criação de estratégias fez com que tenhamos campanhas com direcionamento mais assertivo de maneira muito mais rápida, porém, abrindo mão da criatividade por conta do imediatismo de criar, postar, repercutir, compartilhar…

E antes que pergunte: Não! Essa não é uma crítica às marcas, tampouco aos profissionais de agências, produtoras e veículos. Essa é uma observação sobre a sociedade que recebe uma infinidade de informações gerando necessidades e anseios imediatos. Quem fornece a solução mais rápida e direcionada, leva. E na construção dessa solução é que entra o desafio da comunicação e dos profissionais do mercado: atender seus clientes, entregar e superar expectativas acompanhando o ritmo de uma sociedade em que a paciência se tornou uma virtude rara.

Mas será que precisamos da ideia incrível ou o “feijão com arroz” serve para o consumidor de hoje? Como convencer os clientes e parceiros que precisamos desse tempo para ter soluções muito mais completas, integradas e inovadoras? Eu não sei. Talvez você também não saiba. Talvez você não tenha tido tempo de pensar sobre isso. Vamos pensar juntos? Vamos destinar um tempo a buscar soluções que tornem novamente o processo criativo prazeroso ao invés de maçante (e imediato)? Vamos perceber e nos envolver com o presente ao invés de torná-lo um instante prolongado? Vamos reatar as nossas relações sociais e humanizar o tempo. Ele não está passando mais rápido, apenas ficou mais precioso.

Maria Eduarda de Liz Pergher é Analista de Marketing. 

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