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Cadê a Agência que estava aqui?

Por Cláudia Leão, para Coletiva.net

Tanta coisa tem acontecido durante essa pandemia pela Covid-19. Todos sentem as consequências do vírus, que anda virando o mundo de cabeça pra baixo, sem nos dar alívio, há mais de 2 anos. Aconteceu muita coisa, mas eu vou falar das relações de trabalho no mercado publicitário durante a pandemia, que nos atormenta e ainda nos mantém separados.

O mundo mudou nesses dois anos, isto é fato. A forma de trabalhar mudou radicalmente, as relações de trabalho passaram a ser exercidas de outra maneira e eu, que por 17 anos fui Executiva de Veículos de Comunicação, sem contar os 15 anos entre agências e produtoras, estava em período sabático durante o primeiro ano da pandemia. Quando retomei minhas atividades de trabalho, fiquei bastante impactada.

Cadê as agências de publicidade, cadê os veículos de comunicação, as produtoras onde trabalhavam os profissionais? A indústria da publicidade estava toda trabalhando de casa. Lógico. Em home office necessário e obrigatório. E como nesse primeiro ano fomos alunos em tantas coisas, tivemos que aprender também a trabalhar on-line.

Para quem estava acostumada, como eu, a sentar na frente dos profissionais de mídia ou clientes, e negociar, conversar, trocar ideias, foi uma tarefa não digo difícil, mas desafiadora. Fazer meu cérebro entender que agora eu troco informações e tento gerar negócios com uma tela, isso quando não faço uma apresentação falando para a foto do meu interlocutor, me coloca em permanente questionamento. Penso naquela velha teoria da Comunicação: há o emissor da mensagem, mas e o receptor estará recebendo todo estímulo e informação necessários para o fechamento de um negócio? 

A interface me parece, muitas vezes, bem pequena. Onde e quando as partes interessadas se juntam efetivamente nesse modelo? E os profissionais em home office, estão dando conta de cumprir todas as tarefas e ainda gerar novos contatos e negócios para os seus clientes? Ou o trabalho ficou burocrático, onde se cumpre a pauta e se entrega o solicitado, sem entusiasmo e sem alegria? 

O quanto esses profissionais estão abertos para as novidades do mercado e para quem quer levar informações novas? Quando respondem aos convites de reunião e apresentação de propostas? Me parecem sempre abarrotados de tarefas, sobrecarregados mesmo. Onde e com quem os jovens que estão chegando agora no mercado aprendem algo que não seja relacionado ao digital, ao engajamento e aos leads? Cadê a vontade louca de fazer o cliente aparecer, a marca crescer, o faturamento aumentar, cadê a emoção da boa propaganda?

Tenho ouvido de várias pessoas do mercado que o modelo de home office veio pra ficar e que muitas agências nem pensam mais no retorno aos escritórios, no máximo um modelo híbrido, com salas e custos mais enxutos. Mas precisamos repensar esse modelo: a indústria da propaganda se alimenta também de encontros, de trocas e das relações interpessoais. Da minha parte, espero que a pandemia seja controlada logo e que a necessidade de conexão acabe vencendo essa luta.

Cláudia leão é sócia da A Solução

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