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Perrengue chique: como foi cobrir o SXSW de dentro da minha casa

Por Eduarda Endler, para Coletiva.net

Quando a gente acredita que não dá para piorar, lá vem o destino e piora. E agora, a gente ri? Ou chora? Esse foi um dos pensamentos que tive enquanto cobria o South by Southwest (SXSW), um dos maiores festivais de Tecnologia e Inovação do mundo, a convite do Coletiva.net, ainda na sexta-feira, 11, primeiro dia do evento. Mas vamos pelo princípio.

Lá no começo de fevereiro, a equipe do portal me chamou para um desafio que eu nunca havia imaginado ou vivido na minha vida profissional até então: cobrir um evento internacional. Sequer me passou pela cabeça que poderia ser o SXSW. Imagina só, um evento de tal proporção! Com frio na barriga e um pouco insegura – questionando se meu conhecimento de inglês daria conta, afinal, são assuntos diversos e com vocabulário que não fazem parte do meu cotidiano – que aceitei o desafio. Depois de definir um roteiro, com eventos a assistir e cobrir, meu trabalho começou oficialmente.

Na primeira sessão destaque, entretanto, já apareceu o primeiro problema: mesmo com o volume máximo no computador, era impossível ouvir o palestrante. Nem com a cabeça colada na saída de som. Após inúmeros comentários no chat do evento, descontentamentos que surgiram de todos que acompanhavam ao redor do mundo, o áudio melhorou. Pouco, mas melhorou. Nesse momento, já tinham se passado 30 minutos. Mas calma, B.O. resolvido, não tem como piorar! Calma, de novo, porque tem sim. E assim, a chuva começou a cair em Porto Alegre e o que mais caiu? Isso mesmo, a conexão com a internet. Mas vamos de plano B, certo? Os dados móveis do celular que aguentem a transmissão do SXSW. Cobertura feita, texto entregue e publicado. E assim segui para o próximo evento.

Outro desafio foi o fuso-horário. Para não cometer erros ou me perder nos horários, formalizei todos os eventos e seus respectivos horários em uma planilha, com data, horário Austin, horário daqui, entre outras informações que seriam necessárias. A diferença entre Porto Alegre e Austin era de três horas. Isso mesmo, era. Porque durante o evento, no domingo, chegou o horário de verão para eles. Depois de perder um evento, sem entender o porquê de ele ainda não ter começado, entendi que ele já tinha começado e encerrado, uma vez que a diferença de tempo diminuiu. Atualmente, o Central Daylight Time (CDT), UTC -5, é o fuso de lá. E agora o Texas está duas horas atrasado em relação ao horário de Brasília. 

Depois de quatro dias, a minha cobertura do SXSW oficialmente se encerrou. Foi uma experiência indescritível e inesquecível, que nunca imaginei que iria vivenciar, principalmente por estar fazendo a cobertura de dentro da minha casa, no formato on-line, e cercada das minhas três gatas – que, inclusive, se interessaram por algumas palestras e ficavam atentas ao computador enquanto eu digitava. 

A minha participação no evento até virou pauta de jornal do interior. A Folha do Mate, principal jornal e veículo de notícias de Venâncio Aires, cidade onde nasci, trouxe uma nota no sábado, abordando a minha participação no evento. Foi incrível ver meu trabalho sendo lembrado e reconhecido pelos conterrâneos. O recorte do jornal impresso está aqui guardado com muito carinho.

Depois de passar muito nervoso com a confusão de horário, volume baixo e falta de internet, agora dou risadas e guardo as boas recordações sobre o SXSW, que marcou a minha vida profissional e também pessoal. Perrengues chiques que chama, né? Até a próxima!

Eduarda Endler é jornalista.

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