Sextou. E após a lamentável e trágica morte do sergipano Genivaldo, pelas mãos de policiais rodoviários federais, o dia começa cinzento. Nublado. Também pela morte de um jornalista que será lembrado como um dos grandes. E nestes tempos difíceis que vivemos nos acostumamos a abominar certos comportamentos, alguns quase medievais. Tipo quando alguém diz: “E daÍ? Não sou coveiro!”.
Quem diz que dá de ombros para a morte de alguém, não tem empatia e acaba por ser um pequeno. E, de fato, muitos nos trazem nestes tempos exemplo de como deve ser o mundo do esgoto – o real e o simbólico. Os que se consideram mais humanos, mais progressistas, mais à esquerda, enfim, deitam falação sobre o chorume que, às vezes, exala em algum gesto ou fala, e dizem – me incluindo, “onde foi que perdemos nossa humanidade?”. Posso estar muito equivocado ou não ter entendido, mas quando os mais à esquerda reproduzem o comportamento que muito criticam, acho que podemos fazer a mesma pergunta: cadê nossa humanidade?
Fiquei muito atento às redes hoje. E na minha bolha, de maioria mais à esquerda, vi um bom e grande número de manifestações sobre a morte de David Coimbra. Muitas de colegas ou mesmo de estranhos a ele, lamentando a perda. E é o que ele merece. Mas vi o tal “esgoto” também muito vivo. Vi o “canalha” com ponto de exclamação, o “não lamento nem um pouco”, o “não se perde nada”. Lamentamos quando disseram barbaridades na morte de Marisa, então esposa de Lula, ou mesmo do seu neto – pra ficar só nesses exemplos. E fazemos o mesmo agora?
– Ô seu babaca, o cara morreu. Poderia ter um pouco mais de respeito? Ou guarde sua bílis para si. Não vem na minha timeline expressar sua tacanhez. Estou pensando em eliminar alguns. Não acho que tenha de ter, na minha bolha, gente desta espécie, e não me farão nenhuma falta.
Eu não gostava de alguns posicionamentos do David Coimbra. Mas era a profissão dele emitir opinião. Não gosta? Não ouve, não lê. Ter a capacidade de não gostar, de discordar, mas de reconhecer o trato genial dele, especialmente com as palavras, não deveria ser difícil. Mas para alguns é. E quando este comportamento odioso aparece, nos tornamos iguais aos que condenamos.
Lamento pelo pai, pelo profissional, pelo amigo de muitos que se foi. E veja: foi um guerreiro no enfrentar da dor e da morte quase certa. Sai da vida e entra pra história, maior do que muitos dos meus amigos. Hoje – e talvez daqui pra frente, não quero saber suas opiniões. David se foi, e alguns coitados ficaram.
Que descanse em paz…o David, lógico.
Iraguassu Farias é diretor Comercial de Coletiva.net.


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