Dia desses ouvi uma pessoa criticando outra: “Você só está querendo puxar assunto”. Eu, imediatamente, pensei: “Gente, como publicitário, o que faço é isso: puxar assunto”. Claro, a gente puxa assunto de forma direcionada, pensando em fortalecer marcas. Mas, humildemente, o que um bom comunicador faz é (apenas!) isso: gerar assunto.
Assunto? Vale dizer: argumentos, questões, tramas, temáticas, tópicos, causas. Dizem que a propaganda gera falsas necessidades. Sempre achei isso meio exagerado – acho que o que a propaganda gera mesmo são assuntos, fúteis ou não. É por isso que, ainda bem, estamos aprendendo que bem-vindo é fazer conteúdo, não apenas anúncios. Pessoas gostam de histórias, não de reclames.
Escrevo (por profissão) o dia inteiro. Apesar disso, vivo escrevendo nas horas extras, postando coisas – inclusive tenho um face/insta dedicado a contar a respeito das minhas leituras (lê esse book, segue lá). Por que faço isso? Porque gosto de puxar assunto. Simples.
Me dá agonia estes casais que vão jantar e ficam a noite inteira quietos, mastigando e mastigando e mastigando. E mastigando. Me dá agonia quem só fala do tempo, sabe? “É, acho que chove hoje no final do dia”. Credo. Pior ainda é gente que só fala do Inter e do Grêmio. Cruzes. Nada contra o futebol em si. Pelo contrário – adoro, por exemplo, Copa do Mundo (oba, este ano tem). Mas a vida não pode ser um eterno “Bola Dividida” ou “Terceiro Tempo”. Tanta coisa pra ver, ler, sentir, tocar, viver, refletir… deixa o técnico do time pra lá.
Comunicadores intrigantes geram conversas (“Arte é intriga”, dizia o Millôr). Comunicadores interessantes geram recall. Colocam temas no ar. Fagulhas. Espolet(r)as. Não é por acaso que as redes popularizaram os “formadores de opinião”. Influenciadores poderiam ser chamados de “formadores de assuntos” – o nome até seria melhor (assunto é anterior à opinião, opinião é prima do julgamento).
Assim, não vamos esquecer: boa comunicação é a que sabe dialogar, papear, cavaquear, tagarelar, prosear, cortejar, envolver, seduzir, borboletear. Boa comunicação é a que sabe… assuntar (provocar uma boa resenha, como diz meu filho de 14 anos).
Seu anúncio de produto e preço, sua mídia de e-commerce, é útil, traz frequência. Mas não é exatamente comunicação. É informe, vamos dizer assim, mas ainda não é boa informação. As pessoas convivem com camelôs. Mas não admiram. As pessoas admiram palestrantes (apesar de não conviver tanto com eles).
Então? Você concorda com este papo todo? Discorda? Achou conversa fiada? Ok. Eu só estava tentando puxar… você sabe.
Marcelo Pires é publicitário, consultor e roteirista. O Silva da Ideia da Silva.


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