Há um provérbio comum, mas que, por razões que não vem ao caso, se ajusta muito com os meus critérios pessoais. Ele diz: tudo vale a pena se a alma não é pequena. E, sendo assim, encaminhei para o mercado da propaganda/publicidade o meu condão de criar boas ideias, de modo a encantar os consumidores, os clientes dos meus clientes.
Fiz isso com uma sinceridade e um fervor quase místico. Valeu a pena. Conquistei muitos prêmios regionais e nacionais, modéstia às favas. Fui o primeiro e único publicitário brasileiro a ser sócio da DPZ, empresa que dos anos 70/80/90 em diante foi considerada uma das melhores agências de propaganda do mundo. Mas onde é que eu quero chegar? Já chego.
Ocorre que naqueles tempos passei a conviver com os publicitários gaúchos. Possuo uma acentuada sensibilidade para farejar o perfil das pessoas, razão pela qual eu asseguro que metade dos publicitários gaúchos vivem mergulhados na mais profunda alienação. Você que chegou até aqui com certeza sabe a que metade você pertence. Do ponto de vista ideológico, aquela metade vive em cima do muro, se borra de medo de que suas convicções ideológicas (é pouco provável que existam) possam afugentar seus clientes. No entanto, não por acaso, esses clientes são acionistas de grandes empresas. Eles sabem que a queda de braço do governo Lula com o Banco Central (vencida) vai reduzir os juros de modo significativo e, como consequência, estimular o consumo dos seus produtos.
O Governo criou a moeda verde como instrumento para atrair bilhões de dólares da China e outras nações que desejam investir na Amazônia, de modo a reduzir o carbono responsável pelo aquecimento global. E ainda há o investimento de bilhões de reais no agronegócio, como forma de atrair divisas para o Brasil. Aquela metade de publicitários alienados se justifica imbricando que o Governo Lula é comunista, que vai invadir a casa deles para os pobres morarem.
Mais do nunca falar de política é necessário sim. Depois de anos de obscurantismo, temos um governo que se preocupa com a ciência, com a saúde, com quem não tem o que comer. É hora do Brasil voltar a olhar para o seu povo.
Paulo Tiaraju é publicitário.


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