Desde que fui apresentado ao universo das solenidades, deparo com o paradoxo entre a política e a opinião pública. Em palanques, discursos e acenos à população, existe algo que é preciso ser vivenciado para que se possa acreditar. Grande parte dessa dúvida criada entre o que se escuta e o que realmente se faz é culpa, sim, de parcela de políticos que mais se promove com titulações e cargos do que se preocupa em resolver os problemas da população. Evidentemente que me refiro a alguns, afinal política é feita por seres humanos, e por humanos onde encontramos caracteres de todos os tipos.
O cerimonial público é um aliado para criar vínculos emocionais entre as instituições e seus públicos. Partindo desse pressuposto, entendo que o cidadão cria seus conceitos sobre o que é dito. Por isso que precisamos de governantes bem qualificados tanto quanto… bem intencionados!
O Protocolo e o Cerimonial funcionam como excelentes ferramentas para melhorar a expressão de valores de uma instituição. Sem dúvida que sim! Ainda que seja preciso colocar os cerimoniais dentro da realidade de cada comunidade e até mesmo do tipo de instituição, principalmente quando essa for pública. Vivemos tempos em que conceitos mais conservadores são substituídos por comportamentos mais informais. Organizados, sem dúvida, e dentro de um conceito que une as regras à evolução da sociedade. Soma-se a isso a influência da ciência e da tecnologia.
Sabemos muito bem que grande parte das ações de governo é projetada para acontecer dentro do menor tempo possível, mas nem tudo depende somente da vontade do governante. Alguns projetos demoram anos e, em alguns casos, seus resultados acabam não sendo colhidos pelo mandatário do cargo. Prestar contas e estar próximo do cidadão sempre que for necessário – principalmente em momentos de dificuldade como visto há pouco tempo com os ciclones que passaram e ainda ameaçam o Rio Grande do Sul – cria um vínculo de empatia que aproxima o governo às pessoas.
Considerando a busca desse vínculo, cada ato público que se realiza tem sua importância. É preciso perceber muito bem onde estamos e queremos chegar, quem queremos alcançar e, principalmente, a partir de regras que regem o Protocolo, fazer com que os cerimoniais aproximem os representantes do governo à sociedade, tornando-os mais acessíveis, sem perder a autoridade. Precisamos, como cerimonialistas, respeitar as regras e estar sempre em busca do melhor resultado possível tanto no aspecto técnico quanto no emocional, sem se deixar levar por modismos.
Sensibilizar o cidadão a partir de cerimoniais bem estruturados e transformar a imagem dos governantes de maneira que as autoridades estejam conectadas às necessidades reais da sociedade são funções que fazem parte desse trabalho que devemos levar tão a sério, mesmo que, às vezes, de forma errônea, seja visto como uma mera formalidade.
Pense nisso!
Christian Jung é publicitário, locutor e mestre de cerimônias.


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