Se existisse uma maneira de mensurar quantas vezes eu clico em anúncios que aparecem na minha timeline de redes sociais, talvez eu fosse o Botafogo das iscas de grandes empresas: disparado na liderança de clicks de propaganda. Na maioria dos casos, são coisas que falei perto do celular sobre a vontade de comprar. Porém, há também aqueles promocionais de itens que eu nem sabia que precisava. Mas, se tem cupom de desconto, eu clico! O problema disso tudo está no que vem depois.
É comum ser redirecionado para o site e ver que o produto esgotou. Ou, que não há a minha numeração. Pior ainda: o cupom não funciona ou o preço é diferente da propaganda. Nas várias tentativas de falar com um ser humano por chat ou telefone, decepção. Erros no sistema, desconhecimento do problema, ou simples vácuo. Esse é o famoso clickbait, ou caça-cliques — uma manobra digital para gerar tráfego online com conteúdos enganosos ou sensacionalistas. Isso me gera uma certa indignação e, consequentemente, uma marca negativa na reputação daquela empresa com a minha pessoa.
Esse é um gatilho muito importante quando trazemos para a realidade de pequenas empresas ou personas que têm, na sua imagem, a credibilidade para a prosperidade do seu negócio. É a partir do seu nome, imagem, voz que as pessoas associam o seu trabalho, e a qualidade dele, ao valor que ele tem. E, nesta crescente significativa de redes sociais que já acompanhamos há alguns anos, o vídeo tornou-se um referencial primordial na manutenção dessa reputação.
O sociólogo francês Dominique Wolton alertava, no seu livro “Informar não é comunicar”, para a necessidade de pensar no outro. Em um mundo tão globalizado e acelerado, será que o receptor está absorvendo nossa mensagem corretamente? Ou estamos apenas focados na transmissão das informações? Ao contrário do texto ou áudio, o vídeo tem no seu cerne uma maneira única de transmitir informações e expressar ideias.
Ele traz elementos visuais, auditivos e, principalmente, emocionais, que propiciam ao cliente uma experiência mais rica e envolvente, aproximando ambos os lados. Essa conexão, com olho no olho no mundo virtual, possibilita que o espectador crie um vínculo mais forte com o conteúdo e com a pessoa por trás dele. Diferente do que a maioria pensa, um perfil de negócios na rede social não pode ter apenas o serviço, mas também a imagem de quem o realiza.
Transparência e proximidade
Outro aspecto fundamental do vídeo na construção da reputação é a transparência. É na frente da câmera que as pessoas têm a oportunidade de mostrar quem realmente são, os seus valores, crenças e comportamento. Quando nos expomos dessa maneira, criamos uma proximidade com o nosso público que nos coloca no mesmo patamar de intimidade. A CEO de uma empresa que admiro está aqui, no meu celular, falando comigo, sobre o que ela faz, olhando nos meus olhos. Ela acredita nas mesmas coisas que eu! Puxa, que legal. Somos parecidos!
Somente através do vídeo é possível transmitir este tipo de emoção genuína, com total transparência de opiniões, o que cria conexões mais profundas e longínquas. Isso permite uma expansão muito mais ampla do seu conteúdo, pois assim é possível demonstrar outras valências, conhecimentos e personalidade de maneira autêntica.
Ao compartilhar vídeos relevantes e interessantes, é possível conquistar a atenção e a confiança de um público mais amplo. Se alguém é um especialista em uma determinada área, pode compartilhar tutoriais, palestras ou demonstrações em vídeo para destacar suas competências. Essa demonstração prática é mais convincente do que apenas afirmar ser um especialista, e ajuda a estabelecer credibilidade.
Mas tudo tem dois lados. E, nesse caso, o impacto negativo pode ser tão grande quanto o positivo. O crescimento das plataformas de compartilhamento e o acesso generalizado à internet nos permite alcançar pessoas em diferentes partes do mundo. Isso faz com que o vídeo seja uma ferramenta eficaz para aumentar a visibilidade e o alcance da sua reputação pessoal. Porém, uma vez publicado, o conteúdo se espalha e pode ter um impacto duradouro. É preciso estar cuidadosamente alinhado com o conteúdo do seu vídeo e mensurar como isso pode, ou não, afetar sua reputação pessoal.
Portanto, se você quer construir sua imagem de forma sólida e honesta, não seja aquele anúncio patrocinado de um produto que não existe.
Maicon Hinrichsen é jornalista e fotógrafo, integra o Núcleo Audiovisual da Critério.

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