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A MÍDIA SE RENDEU AO PODER ECONÔMICO

Em palestra na conferência “Meios de Comunicação, Cultura e Saber”, realizada durante o Fórum Social Mundial em Mumbai, Índia, Bernard Cassen, diretor da Organização …

Em palestra na conferência “Meios de Comunicação, Cultura e Saber”, realizada durante o Fórum Social Mundial em Mumbai, Índia, Bernard Cassen, diretor da Organização ATTAC e do jornal francês Le Monde Diplomatique, defendeu a necessidade de um “contrapoder cidadão”, que faça frente ao poder do sistema midiático. Ao falar sobre a responsabilidade dos meios de comunicação e o papel da mídia alternativa, Cassen lembrou que, historicamente, a mídia se apresentou como o quarto poder, em relação aos três poderes tradicionais do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário). Entretanto, nos últimos 25 anos, o sistema de mídia se rendeu ao sistema econômico. “O sistema midiático se uniu aos novos donos do mundo, às instituições multilaterais e suas sucursais regionais. Rádio, TV, imprensa escrita e, mais recentemente, a Internet se reagrupam para constituir grupos midiáticos de abrangência mundial – são entidades planetárias, globais. A tendência é que esse processo de fusões e aquisições cresça mais e mais e que o sistema midiático continue a ser ator de propagação da ideologia dominante”.

O jornalista francês pensa que o tema da Comunicação deva ser apropriado pelos movimentos sociais. “Precisamos entender como podemos nos defender ante isso tudo. Precisamos elaborar alternativas a este sistema e essa deve ser uma frente de luta prioritária para os movimentos sociais”. Cassen defende a criação de um quinto poder para se opor à coalizão do sistema dominante: “Este deve ser um poder de denúncia e crítica aos grandes grupos midiáticos. Um instrumento de defesa do cidadão”. Bernard Cassen alertou para que não se faça confusão entre a crítica ao sistema midiático e os jornalistas. “Estamos criticando o comportamento de multinacionais e não os trabalhadores. Afinal, nossa luta é a mesma. Necessitamos deste quinto poder. Os profissionais de mídia e seus sindicatos devem lutar lado a lado com os cidadãos, porque a liberdade de expressão é interesse de todos, e não só dos jornalistas”.

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