Uma falha de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) causou, nos últimos dias, confusão entre profissionais de imprensa sobre o uso de câmeras em cabines de rádio durante partidas do Campeonato Brasileiro de Futebol. A falta de clareza na manifestação oficial deu a entender que seria proibido registrar imagens de narradores, comentaristas e equipes técnicas em seus canais no YouTube. A tal normativa tinha saído na última semana, deixando jornalistas revoltados.
O mal-entendido foi resolvido por meio da atuação da Associação de Cronistas Esportivos do Brasil (Aceb), que procurou a CBF para esclarecer a situação, garantir a continuidade das transmissões e orientar os fiscais a não criarem restrições indevidas. A situação gerou reação imediata de comunicadores gaúchos e nacionais. Na realidade, a normativa visava reforçar para que os comunicadores não deixem a imagem do campo vazar em suas transmissões.
Logo que saiu a normativa, o jornalista Nando Gross, por exemplo, foi um dos comunicadores a criticar a CBF, naquela ocasião. “Não é modernização, não é organização, não é proteção de direitos. É controle… O direito de arena protege o jogo, não a cabine. Um profissional falando diante de uma câmera, dentro do espaço destinado à imprensa, está trabalhando… e isso está sendo atacado”, disse Nando, dias antes dos esclarecimentos dos fatos.
No âmbito nacional, Mauro Cezar Pereira, colunista do UOL, destacou que qualquer falha de comunicação que dê a impressão de cerceamento do trabalho editorial deve ser rapidamente esclarecida: “O papel da imprensa é informar com transparência e sem amarras. Quando se tenta limitar o uso de ferramentas que ajudam a humanizar quem está na cabine, isso acaba cerceando a narrativa e empobrecendo a cobertura esportiva.”
Esclarecimento oficial e normalização
Com a intermediação da Aceb, a CBF reforçou que não há restrição para câmeras em cabines de rádio, desde que não haja captação de imagens do gramado ou de conteúdos protegidos por direitos de transmissão. Todos os fiscais foram instruídos a seguir a norma de forma transparente, evitando qualquer mal-entendido futuro. Além disso, a entidade coloca que o episódio evidencia a importância de uma comunicação clara por parte das entidades organizadoras e o papel das associações representativas, na defesa da liberdade editorial e na proteção do trabalho jornalístico no esporte.


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