Uma parceria entre o Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) e o Farol Jornalismo pretende lançar luz sobre um dos ambientes de formação de novos profissionais: os laboratórios de produção jornalística mantidos por cursos de graduação em todo o Brasil. A iniciativa realizará um mapeamento nacional desses espaços com o objetivo de dar visibilidade ao Jornalismo universitário e estimular a criação de uma rede de colaboração entre instituições de ensino.
A primeira etapa do projeto, chamado ‘Laboratórios de Jornalismo’, será dedicada ao levantamento dessas estruturas. Dividida em três eixos, o primeiro deles é o mapeamento. “O levantamento vai nos dar uma ideia de quantos cursos possuem laboratórios, que tipo de jornalismo produzem, quais as características das equipes responsáveis e qual o impacto nas comunidades em que estão inseridos”, explica Moreno Osório, coordenador da iniciativa.
Além de mapear os espaços existentes, o objetivo também é ampliar o horizonte dos profissionais em formação. Para o presidente do Projor, Sérgio Lüdtke, “o projeto dá espaço para futuros jornalistas exercerem sua criatividade e proporem novos formatos narrativos e ainda incentiva os estudantes a experimentarem e exporem seus trabalhos”. A equipe de produção da iniciativa conta ainda com os jornalistas João Neto e Marcela Donini.
Newsletter e reportagens
Depois do mapeamento, uma das ações previstas é a produção de uma newsletter semanal com curadoria de trabalhos jornalísticos desenvolvidos nos laboratórios universitários. A ideia é criar um canal regular de distribuição para conteúdos produzidos por estudantes em diferentes instituições.
A outra frente será a publicação de reportagens no site Observatório da Imprensa. As matérias contarão as histórias dos laboratórios e das equipes de professores e estudantes que os utilizam. “Nos laboratórios, estudantes têm condições próximas do ideal para produzir Jornalismo de interesse público – não raro ocupando um espaço que não interessa aos veículos comerciais. Mas a pouca visibilidade desses trabalhos restringe a relevância dentro de suas comunidades”, comenta Moreno Osório.
Além disso, Sérgio Lüdtke ressalta que o mapeamento almeja salvaguardar o futuro dos estudantes e da própria profissão. “É um modo de a academia se aproximar do mercado e vice-versa. Num momento como o atual, esse diálogo é fundamental para a construção de um futuro em que o jornalismo terá que ser mais sustentável e atrativo, sem perder a relevância”, avalia.
Abrangência
De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2024, o Brasil possui atualmente 353 cursos de graduação em Jornalismo. Desse total, 283 estão em instituições privadas, 46 em universidades federais e 19 em instituições estaduais. A pesquisa busca justamente identificar quais desses cursos mantêm laboratórios de produção jornalística ativos e como esses espaços estão estruturados.
Coordenadores ou integrantes de laboratórios universitários interessados em participar do levantamento podem responder ao formulário disponibilizado pelos organizadores do projeto. Também é possível obter mais informações pelo e-mail [email protected].


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