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Já estamos rebaixados

As primeiras rodadas do Brasileirão mostram que a dura realidade dos últimos anos continua. Nossos grandes clubes se apequenaram de tal forma que só brigam por lugares na parte de baixo da tabela. O Inter é o pior da vez, ao chegar na lanterna do campeonato, sem conseguir vencer. Entre gestões insuficientes e uma rivalidade que hoje joga contra nós, a dupla Gre-Nal se “autorrebaixou”, um caminho difícil de ter volta.

A derrota em casa para o Bahia no domingo (15), a terceira (isso mesmo, uma, duas, três) no Beira-Rio em três jogos como mandante no Brasileirão não ocorreu por si só. Foi construída com anos de erros dos dirigentes do Inter, há pelo menos uma década. Se o colorado está com zero porcento de aproveitamento em seu estádio a responsabilidade é de Alessandro Barcellos e seus pares, mas também de alguns que vieram antes e iniciaram a sequência de insucessos.

Desde a reinauguração do Beira-Rio, pós-Copa de 2014, o clube passa por uma constante degradação, num círculo vicioso que dá esperanças para a torcida de que a coisa vai engrenar, tem sucessos pontuais, alguns “quase títulos”, mas a política e as contratações mal feitas e mal planejadas fazem os vermelhos pagar um preço muito caro e dolorido. 

Como muitos sabem, estive lá. As pessoas são ótimas, só querem o bem do Inter, mais do que ninguém. O problema é que tratam os jogadores como “reis”, não como funcionários, e deixam a estratégia de lado quando algum movimento político faz qualquer tipo de pressão. Digo, depois da passagem pelo Beira-Rio, que o nosso futebol é o único setor da economia no qual se exige um nível altíssimo de profissionalismo em todas as funções, sendo que o topo, quem comanda, é totalmente amador. Torço para que melhore.

O Grêmio não fica atrás. A estrutura é a mesma, também conheço muito bem. As práticas são iguais e a trajetória idem. Está um pouquinho acima do rival neste momento no Brasileirão, talvez melhor treinado, e só. Está “rebaixado” em relação à sua verdadeira grandeza, brigando por posições intermediárias. O empate diante da fraca Chapecoense sem apresentar supremacia é uma das provas.

Esqueça, portanto, aquela realidade em que a dupla Gre-Nal compõe um grupo de gigantes no país e na América do Sul. Enquanto seguir com o sistema atual, dificilmente vamos ser protagonistas. Tenho dito aqui e repetirei sempre. A SAF pode ser uma solução? Depende do modelo e das pessoas. Infelizmente pouco salva o futebol gaúcho. O rebaixamento aconteceu e parece irreversível.

 

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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One Comment

Augusto Santos

Bom dia!

De fato, como um fiel torcedor do E. C. Bahia, fiquei surpreso com a ruindade do jogo e a vitória do tricolor baiano diante de um Inter “com a dentadura frouxa”, nem de longe o outrora poderoso representante do futebol gaúcho. Aliás, com relação ao Bahia, o Inter deveria jogar sempre prevenido; afinal, foi o Esquadrão de Aço quem pespegou a maior humilhação ao Colorado, aquele Brasileirão de 1988 (decidido ao início de 1989), jogo final do Beira-Rio.

Enfim, o Bahia virou um poderoso – com ou sem SAF – e o Inter + Grêmio são hoje times secundários. Isso não condiz com nada do que nos conta a história. Ah! O Grêmio ganhou ontem do Vitória, OK! Mas hoje é o Bahia é o Bahia e o Vitória, mais um decadente, “passageiro de elevador” – da primeira para a segunda, da segunda para a primeira divisão…

A intenção destas linhas não foi humilhar, um expediente baixo. Foi brindar o colunista com um aplauso vindo deste longínquo Estado do Amazonas, onde hoje resido.

Abraço cordial.

Em 20 MAR 2026 – 9:49 AM.

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