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Duro choque de realidade

A vida é cheia de derrotas e vitórias. De todos os tipos. Há vitórias que são enganosas, obtidas por acaso, derrotas que dão uma certa esperança porque houve luta e evolução. O pior é quando perdemos e fica claro que não tínhamos chances, que estamos muito abaixo do nível necessário para ganhar. É o que tem ocorrido em alguns jogos recentes da dupla Gre-Nal, é o que vimos no Brasil contra a França na semana passada. A derrota sem resistência é devastadora. 

Sabe o ditado “jogamos como nunca, perdemos como sempre”? No Brasileirão o Inter sofreu com isso diante do Palmeiras no Beira-Rio. Fez um baita esforço, tentou encarar o time paulista de igual para igual, tava junto com a torcida, e perdeu por 3 a 1. Os torcedores e a imprensa tiveram um choque de realidade, o mesmo que afetou a todos os brasileiros depois do amistoso preparatório para a Copa.  

Nem podemos exemplificar que o mesmo Inter que ganhou do Barcelona em 2006 era muito inferior e mesmo assim conseguiu vencer no Mundial daquele ano. É diferente. O jogo em Yokohama teve uma equipe que brigou pela vitória, aplicou estratégia, por isso se deu bem. O que estamos dizendo aqui está mais para o Grêmio diante do Real Madri em 2017, quando o tricolor gaúcho levou 1 a 0 mesmo lutando bravamente. Mas calma, tudo é processo, nada está perdido. 

No caso da dupla Gre-Nal o caminho necessariamente passa por uma reconstrução financeira. Os clubes estão falidos, literalmente, em praticamente todas as suas áreas. Nas finanças devem juntos mais de R$ 2 bilhões. Não têm salvação. Talvez a SAF possa ser opção num futuro breve, dependendo do modelo no qual ela for implantada. 

Dentro de campo a falência é de gestão. As direções não conseguem controlar os jogadores, que não veem consequências se perdem, empatar ou ganham. Não há chefes bem definidos. No Palmeiras, usado como exemplo ali em cima, a presidente Leila Pereira comanda tudo igual a uma empresa. Ela só aparece quando há extrema necessidade, é cada um no seu lugar. Bem diferente do que vemos na Arena e no Beira-Rio. 

Precisamos reconhecer os problemas para mudar a realidade dos nossos grandes. Assim como a Seleção, a paciência será necessária. Ancelotti não é culpado e merece crédito para seguir tentando, assim como Luís Castro e Pezzolano. As transformações passam por reformulações. Que elas venham logo.

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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