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Os colecionadores

Chama a atenção a compulsão dos corruptos de alto coturno por adquirir – ou receber de “presente” – relógios de grife e carros de luxo. Em muitos casos, os valores dos relógios e dos carros se equivalem ou os dos  relógios são até superiores.

 Recentemente o sicário de Daniel Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que se matou na prisão, listou na última declaração de Imposto de Renda 12 relógios das grifes Rolex, Cartier, Patek Philippe, Richard Mille e Audemar Piguet, com valor declarado de R$ 3.7 milhões.  O mais caro era um Richard Mille RM 011, avaliado em R$ 1,2 milhão, equivalente a um bom apartamento em bairro considerado nobre. 

Em São Paulo, a Corregedoria da Polícia Civil investiga como ocorreu o desaparecimento de 12 relógios de luxo  do Instituto de Criminalística. As peças, já recuperadas, foram avaliadas em mais de R$ 1 milhão. Estavam nas mãos de uma organização criminosa formada por agentes fiscais do governo estadual, contadores e empresários, que atuava para obter créditos de ICMS de forma fraudulenta e reduzir sanções tributárias em troca do pagamento de propinas. 

Na operação da PF contra os fraudadores do INSS foi apreendida em Curitiba uma coleção com 24 relógios. No Mato Grosso, dois desembargadores do Tribunal de Justiça receberam propinas no valor de R$ 5,5 bilhões  por meio de transferências bancárias, depósitos, barra de ouro e, é claro, relógios de luxo.

Teria outros exemplos mais, o que me leva a algumas conclusões e conjecturas. Estariam os colecionadores tentando passar a ideia de status e poder que  os acessórios transmitem?  Ou os relógios se prestam bem para  lavagem de dinheiro e tem garantia de liquidez ?  Ou ainda, uma explicação que remonta à infância sem recursos, compensada agora com a aquisição de bens de alto valor, como ocorre com alguns craques de futebol? Ou todas as opções são verdadeiras? 

O certo é que nem todos os colecionadores de relógios caros são corruptos, mas a maioria dos corruptos são colecionadores de relógios caros.

Autor

Flávio Dutra

Flávio Dutra, porto-alegrense desde 1950, é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com especialização em Jornalismo Empresarial e Comunicação Digital. Em mais de 40 anos de carreira, atuou nos principais jornais e veículos eletrônicos do Rio Grande do Sul e em campanhas políticas. Coordenou coberturas jornalísticas nacionais e internacionais, especialmente na área esportiva, da qual participou por mais de 25 anos. Presidiu a Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura), foi secretário de Comunicação do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre, superintendente de Comunicação e Cultura da Assembleia Legislativa do RS e assessor no Senado. Autor dos livros ‘Crônicas da Mesa ao Lado’, ‘A Maldição de Eros e outras histórias’, ‘Quando eu Fiz 69’ e ‘Agora Já Posso Revelar’, integrou a coletânea ‘DezMiolados’ e ‘Todos Por Um’ e foi coautor com Indaiá Dillenburg de ‘Dueto – a dois é sempre melhor’, de ‘Confraria 1523 – uma história de parceria e bom humor’ e de ‘G.E.Tupi – sonhos de guri e outras histórias de Petrópolis’. E-mail para contato: [email protected]
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