Outro dia me explicou um vizinho que todo Manezinho é especialista em vento. E aqui, vento não é chamado de vento, cada um tem seu nome muito particular. Tem o Suli, também conhecido por Minuano e Viração, temido porque é comum no inverno e está associado a uma massa de ar polar, que ninguém aprecia. Tem o Maral, que sopra da água para a terra e é considerado ideal para a prática de esportes no mar. Já o Terral é o contrário, sopra da terra para a água e também não é muito apreciado não graças às rajadas fortes que provoca. E um aguaceiro mais forte também é honrado com um nome muito próprio, a Tribuzana, dado a uma chuva mais intensa, a uma tempestade ou a uma chuva acompanhada do temido Suli.
A Tribuzana mereceu inclusive uma menção em música do Dazaranha, famosa banda de reggae rock nativa de Florianópolis. Valeu ouvir.
Depois da lei que extinguiu o regime de cotas na universidade, logo derrubada pelo STF, e da instituição dos agentes voluntários de segurança pública, questionada agora na justiça, surge mais uma pérola no cenário político catarinense. Desta vez é a lei estadual que permite que pais impeçam que seus filhos recebam aulas sobre igualdade de gênero. Com ela, o governo do Estado sinalizou que identifica como ameaça à civilização os professores que ensinam crianças a respeitar identidade de gênero e diversidade sexual. Professor que desrespeitar a lei será suspenso por até 90 dias além de pagar multa.
Como nas outras leis citadas aqui, esta logo foi contestada no Tribunal de Justiça. Como as outras, deve ser revogada pelo absurdo que embute ao impedir que crianças e adolescentes possam ter acesso a informações que ajudem em sua formação como cidadãos, capazes de adquirir e trocar conhecimentos e de conviver respeitando opiniões contrárias.
E agora em 16 de maio Florianópolis vai festejar os 100 anos da icônica ponte Hercílio Luz. A Velha Senhora, como é conhecida carinhosamente, merece muito, como símbolo turístico número um da capital catarina. No entanto… a atração escolhida pela prefeitura para a homenagem é internacional, a cantora britânica Joss Stone. O show será gratuito, mas sairá do cofre público a nada módica quantia de R$ 2,7 milhões para trazer a intérprete de soul music. No ambiente cultural não pegou bem, nem o valor nem o nome escolhido. A comparação com eventos anteriores similares é inevitável. Como a comemoração no último Réveillon, pela qual a prefeitura pagou R$ 1,5 milhão pelos shows de Raça Negra e Dilsinho.
A boa notícia mesmo é do início do mês, quando foi apresentado o projeto que traz 70 propostas para qualificar os espaços públicos do centro da capital.
Desenvolvido em parceria com CDL, ACIF e Laboratório de Urbanismo e Arquitetura, é um amplo estudo urbanístico realizado pelo escritório dinamarquês Gehl Architects que repensa o uso da região central.
O objetivo: criar um Centro mais humano, sustentável, acessível e voltado à convivência das pessoas. Soa muito legal, ao incentivar a mobilidade sustentável, ampliar áreas verdas e espaços de conveniência, valorizar o patrimônio histórico e buscar integrar moradia, comércio e serviços. Vai proporcionar ao cidadão uma “caminhabilidade adequada”, nas palavras do controvertido prefeito Topázio. Só merece aplausos a iniciativa; se conseguir mesmo proporcionar um convívio mais acolhedor inclusive para trabalhadores e visitantes, o ganho será universal.
A coluna estava fechada quando veio o impacto da péssima notícia. Na véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorada neste domingo, morreu Raimundo Pereira, um dos mais brilhantes e talentosos jornalistas brasileiros. Raimundo foi um exemplo de integridade e ética e marcou sua carreira como uma referência no jornalismo independente. Passou pelas principais redações do país, mas foi gigante na liderança do jornal Movimento, que fundou em 1975. Raimundão e seu Movimento se tornaram uma das lideranças da resistência democrática em contraponto à ditadura militar da época. Morreu aos 85 anos, no Rio de Janeiro.

