Porto Alegre já foi uma cidade boa para se viver e com uma excelente qualidade de vida – reconhecida internacionalmente – para seus habitantes e visitantes. Bons tempos aqueles. Era motivo de orgulho dizer que se vivia em Porto Alegre. Em que o morador da capital gaúcha caminhava com segurança pelas ruas, usufruía de um transporte público estruturado e pontual, conseguia ter lazer nas praças e parques arborizados da metrópole, em qualquer hora, e quando trafegava pelas calçadas não precisava desviar de tanto lixo e entulho.
Hoje, a cidade encontra-se feia, desfigurada, imunda, empobrecida. Com serviços oferecidos ao cidadão de forma precária e desorganizada. Quando eles existem. E funcionam. Fato raro. Com ruas atulhadas de lixo. Nem se sabe se a coleta é diária. Se é que ocorre pelo volume de lixo acumulado nas calçadas e nos contêineres. Uma imundície. Parece que se transformou na sucursal do inferno.
A Cidade Baixa, o bairro onde moro, é o mais perfeito retrato do descaso da Administração Municipal com a cidade. Sempre existe uma lâmpada queimada na iluminação pública, aumentando a insegurança de quem precisa andar pelas ruas à noite. Acertar os horários do transporte público é como ganhar na loteria. E rezar para que o ônibus esteja limpo. E, principalmente, o bairro sofre com o acúmulo de lixo, que se espalha e obriga a desvios absurdos, o que torna qualquer compromisso, seja profissional ou particular, desagradável.
Vou me ater a um local aqui no bairro que frequento diariamente porque preciso levar o cachorro para passear todas as manhãs. E no início da noite. É uma rotina quando Quincas Fernando, o cusco vira-lata, está comigo. Refiro-me à Praça Garibaldi, situada na confluência das ruas José do Patrocínio com as Avenidas Venâncio Aires e Érico Verissimo. É tanta sujeira nos canteiros, tanto desleixo da Prefeitura que envergonham o Monumento a Giuseppe e Anita Garibaldi, localizado no meio do espaço.
A Prefeitura diz que revitalizou a praça no ano passado. Confesso que não vi muitas melhorias com a tal revitalização, feita pela Secretaria de Serviços Urbanos. O cachorródromo, por exemplo, um espaço que era gradeado para garantir a segurança dos cães, que tinha árvores plantadas e grama, ganhou alguns brinquedos novos. Mas perdeu as árvores e a grama. Agora o chão é coberto de uma espécie de saibro, um terror para sujar as patinhas dos pets. E não vi, em momento algum, funcionários ali no cachorródromo para cuidar da manutenção. A tranca do portão está destruída há dois meses.
Mas em toda a Praça Garibaldi foram efetuadas algumas plantações. Todas sem receber nenhum cuidado posterior. Hoje estão murchas, despencadas, pedindo uma atenção. Foram colocadas umas seis lixeiras dentro da praça. Todas sempre entupidas de lixo porque não há uma rotina de recolhimento prevista. Alguns espaços do local ganharam grama, que também não recebe cuidados. E a Guarda Municipal, que deveria fazer algum tipo de ronda, certamente nem sabe onde fica a Praça Garibaldi. Sem falar que, pela falta de uma política eficiente de assistência social, o local é endereço de moradores de rua.
E como já disse nosso poeta Mario Quintana, “olho o mapa da cidade…e sinto uma dor infinita das ruas de Porto Alegre onde jamais passarei”. Porque elas não existem mais. Porto Alegre virou uma cidade muito feia.

