A TV 3.0 começará a operar em junho no Brasil, trazendo recursos de interatividade, ultradefinição e integração entre radiodifusão e internet para a TV aberta. A pouco mais de dois meses da Copa do Mundo de Futebol, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promoveu uma palestra técnica para apresentar as inovações do novo sistema, que permitirá ao usuário navegar entre o sinal tradicional de antena e conteúdos sob demanda. No entanto, inicialmente, apenas as cidades de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo terão acesso à tecnologia.
A apresentação foi conduzida pelo pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcelo Moreno, que detalhou como a TV 3.0 transformará os televisores em plataformas de aplicativos. De acordo com ele, o novo sistema está atualmente na Fase 3 de Pesquisa e Desenvolvimento, passando por uma série de testes técnicos antes da implementação comercial.
TV aberta passa a operar como plataforma
Durante a apresentação, Moreno explicou que a TV 3.0 foi concebida para funcionar de forma orientada por aplicativos, aproximando a experiência da televisão da lógica já adotada em plataformas digitais. “O acesso às emissoras será por meio deles, integrando de forma suave o sinal de rádio e a banda larga”, disse.
A mudança também deverá impactar os próprios aparelhos de televisão. Segundo o pesquisador, os novos controles remotos terão um botão específico dedicado à TV 3.0, enquanto a marca DTV+ funcionará como porta de entrada para o catálogo de emissoras e conteúdos.
Outro ponto destacado foi a possibilidade de segmentação geográfica com reuso de frequência. A tecnologia permitirá que emissoras distribuam conteúdos e publicidades georreferenciadas para regiões específicas dentro de uma mesma rede, ampliando a personalização das transmissões.
Moreno também apresentou o Sistema de Alerta de Emergência, apontado como uma das funcionalidades centrais do novo padrão. A ferramenta permitirá o envio de avisos urgentes diretamente na tela do televisor, inclusive quando o aparelho estiver em modo de espera. A proposta é que autoridades consigam comunicar riscos de desastres naturais, como tempestades e inundações, de forma imediata e segmentada por bairros ou regiões.
Impacto social
A apresentação foi organizada pelo gabinete do conselheiro da Anatel Octavio Pieranti e direcionada a integrantes dos Conselhos de Usuários, do Conselho Consultivo e do Comitê de Defesa dos Usuários de Serviços de Telecomunicações (Cdust). O objetivo foi ampliar o debate sobre o novo padrão tecnológico e aproximar diferentes instâncias da agência das discussões relacionadas à implementação do novo sistema.
O diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização do Ministério das Comunicações, Tawfic Awwad Júnior, definiu a chegada da tecnologia como um avanço de impacto social. “É um momento de celebração. A TV 3.0 vai trazer cidadania, alertas de emergência e demais serviços fundamentais”, declara. Conforme ele, o governo já avalia alternativas de financiamento para garantir a distribuição de conversores à população de baixa renda a partir de 2027.

