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Grandiosidade medíocre

A conta não costuma falhar. Se pensar grande, vai colher grandes frutos. Se pensar pequeno, será menor que outros. Não é só “pensar”. É agir de uma forma grande ou com pensamentos pequenos. Perigosamente a dupla Gre-Nal tem caído, ao mesmo tempo nos últimos anos, no trágico equívoco de sempre ter atitudes que apequenam os nossos clubes. Estamos caminhando para algo que pode ser irreversível. 

A distância entre a dupla Gre-Nal e os grandes do futebol brasileiro fica cada vez mais clara. Escancarada. Os jogos de Grêmio e Inter contra Flamengo e Palmeiras no Brasileirão deste ano foram exemplos. Dois massacres. Daqueles resultados em que a gente percebe que seria derrotado mesmo que fizesse o melhor possível. Simplesmente porque o adversário é muito superior. Os placares ficaram baratos.  

Se engana quem simplifica as coisas e acha que a diferença ocorre por conta da qualidade dos jogadores. O Remo empatou com o Palmeiras, o Athletico-PR meteu calor no Flamengo e encarou de frente, mostrando que não é bem assim. O problema está na “grandiosidade medíocre” dos nossos times. Acham que pensam em ser maiores, na verdade estão se apequenando. 

O Grêmio muito antes de Luís Castro entra desorganizado e espaçado em campo. Não há jogador que consiga atuar bem diante de um adversário que atua em 30 metros do campo, de forma compacta. Aí se configura a distância nossa para os grandes. O pior nem está nisso. Se os dirigentes e as comissões técnicas fossem humildes para admitir seus problemas, não tentariam usar paliativos para mascarar o que está ocorrendo. Entre os gremistas, tentam trazer arbitragens, o tempo de trabalho do técnico português e a antiga direção como causas para os fracassos de 2026. No Inter a causa apontada é o período curto de Pezzolano para comandar o time. 

Até há pontos de alívio em alguns jogos. O Inter está numa sequência promissora, a melhor no último ano e meio talvez. Mesmo assim protagoniza atitudes vergonhosas como comemorar um empate contra o Coritiba, que demonstrou ser inferior. Enquanto estivermos nesse ciclo de ações menores, seremos pequenos. Cada vez mais. 

O sobe e desce na tabela continua, mas estamos distantes da turma de cima. Coadjuvantes, novamente. A única esperança é que o campeonato está nivelado pelos piores. São poucos pontos de diferença entre quem luta por Libertadores e quem está no Z-4. Duas ou três vitórias na sequência mudam tudo. E precisa mudar para a dupla Gre-Nal. Urgentemente.

Autor

Rafael Cechin

Jornalista graduado e pós-graduado em gestão estratégica de negócios. Atua há mais de 25 anos no mercado de comunicação, com passagem por duas décadas pelo Grupo RBS, onde ocupou diversas funções na reportagem, produção e apresentação, se tornando gestor de processos e pessoas. Comandou o esporte de GZH, Rádio Gaúcha, ZH e Diário Gaúcho até 2020, quando passou a se dedicar à própria empresa de consultoria. Ocupou também, do início de 2022 ao final de 2023, o cargo de Diretor Executivo de Comunicação no Sport Club Internacional. Atualmente mantém a própria empresa, na qual desde 2021 é sócio da Coletiva,rádio, e é Gerente de jornalismo e esporte da Rádio Guaíba.
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