Este é uma das histórias publicados no livro Viva a Várzea – Prorrogação, reunindo textos de 14 autores, lançado quarta-feira no Chalé da Praça 15, num evento bem prestigiado.
Alberto André foi um homem de múltiplas atividades: jornalista, professor universitário, dirigente classista, advogado, vereador, presidente da Câmara Municipal, integrante do Tribunal de Contas do Município de Porto Alegre e conselheiro do S.C. Internacional. Presidente símbolo da Associação Riograndense de Imprensa, ARI, foi o mais longevo no cargo, com 34 anos ou dezessete mandatos, de 1956 a 1990, período de grandes realizações na entidade. Era conhecido como o SR. ARI. Hoje, seu nome batiza o edifício sede da entidade, numa das escadarias do Viaduto Otávio Rocha.
Em 2025, quando a ARI completou 90 anos, uma nova faceta das atividades de Alberto André ficou conhecida graças às pesquisas do jornalista e diretor da entidade, Nilson Sousa. Diligente nas suas buscas em coleções de jornais antigos, Nilson descobriu uma importante participação de Alberto André no futebol amador de Porto Alegre. Recortes desses jornais o mostram como dirigente da Federação Rio Grandense de Futebol, hoje Federação Gaúcha de Futebol. Alberto André coordenava as competições amadoras da entidade nos anos 1940/50.
O trabalho que desenvolveu junto aos clubes teve reconhecimento e ele foi alvo de inúmeras homenagens, como torneios de futebol em que doava os troféus. Foi também motivo de chacotas, como do colunista que se assinava Atochômetro Esportivo, que relacionou a baixa estatura de Alberto André com o cargo que iria assumir, publicando esse diálogo fictício:
– Então é verdade que o Dr. Alberto André vai assumir a direção do futebol menor?- É que ouvi falar, velho. Aliás, a escolha foi bem feita, pois, daquela alturinha, o Dr. Alberto André é a pessoa indicada para controlar o futebol menor.
Na verdade, apesar da “alturinha” (1,67 m), Alberto André foi um aplicado ponta-direita varzeano, como revelou em entrevista à publicação PUCRS – Informação:
– Vivi a boa época do esporte amador, inicialmente como dirigente e depois como jogador do time de veteranos de um clube chamado Farroupilha. Eu jogava na ponta direita, mas tinha também a função de comprar e guardar o fardamento na minha casa. Recordo também que, quando marcava um golo, eu pagava uma dúzia de cervejas para o time. Havia então o interesse da turma em que eu fosse o goleador.
A entrevista revela o espírito de liderança e a generosidade de Alberto André, que exerceria à pleno na direção da Associação Riograndense de Imprensa.
Em fevereiro de 1950, já revelando também sua militância como defensor da categoria dos jornalistas, assinou manifesto contra o técnico da seleção gaúcha, Oto Bumbel, pelos ataques, em artigo no Diário de Notícias, ao cronista Cid Pinheiro Cabral, da Folha da Tarde, primeiro presidente da Associação de Cronistas de Porto Alegre, Acepa, hoje Associação Gaúcha de Cronistas Esportivos, Aceg.
Alberto André morreu em 6 de setembro de 2001, aos 85 anos, quando era presidente de honra e do Conselho Deliberativo da ARI.


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