As atitudes do Ministério da Saúde que dificultam a cobertura de ações do órgão sobre o combate ao Covid-19 são tema de reportagem da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Segundo a entidade, desde dezembro do ano passado foram, pelo menos, quatro situações em que os avisos de coletiva de imprensa sobre assuntos de interesse público foram emitidos em cima da hora. Até o momento, foram seis repórteres que recorreram à associação para denunciar o comportamento da pasta, considerando o alastramento da variante Ômicron, bem como o debate sobre a vacinação infantil e o apagão de dados da pandemia.
Um dos casos de destaque ocorreu no dia do anúncio da inclusão da Coronavac no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 para o público de seis a 17 anos de idade. Na ocasião, os repórteres que estavam no saguão do Ministério da Saúde foram chamados para uma coletiva às 18h30. Eles então avisaram outros colegas, que não estavam no local, e que não tinham como saber do evento até então. Além disso, o órgão não havia informado se o pronunciamento teria transmissão on-line. Apenas às 18h54, em um grupo fechado no Telegram e dois minutos após o início da transmissão no Facebook, o aviso foi feito.
Outro problema detectado pela reportagem é a limitação de presença a apenas cinegrafistas e repórteres cinematográficos em alguns eventos, sob a justificativa de prevenção contra a pandemia. “Mesmo nas ocasiões em que a participação de jornalistas é permitida, não é possível fazer perguntas ao ministro”, conclui a Abraji. Ainda segundo relatos dos jornalistas, durante a saída de Marcelo Queiroga da bancada, ao final das coletivas, os profissionais são impedidos de fazer questionamentos pelos seguranças.
Especialista opina
Para a pesquisadora Sabine Righetti, da Agência Bori, de divulgação científica para jornalistas, “a menos que o governo seja acionado para anunciar algo extremamente emergencial, coletivas de imprensa podem ser planejadas”. Ainda conforme a profissional, o esperado era que, em uma situação pandêmica, o ministro da Saúde mantivesse conversas periódicas e sistemáticas com a imprensa em dias e horários fixos na semana.
Outro destaque de Sabine é que, se o Governo entende que as coletivas estão causando aglomeração, poderia, em dois anos de pandemia, ter pensado em soluções, como entrevistas em locais abertos, minicoletivas com grupos menores de jornalistas ou acesso remoto dos profissionais. “É preciso sempre lembrar que a intervenção do jornalista é a intervenção da sociedade. Um governo que faz declarações sem ser questionado pela imprensa não está dialogando com a sociedade”, pontua.
Para conferir a reportagem completa, com datas e ocorrências de cada denúncia, clique aqui.


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