No final da última semana, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Governo Federal, Paulo Pimenta, defendeu a regulação de big techs no Brasil. O pronunciamento foi realizado durante uma reunião em Brasília com representantes e líderes de jornais, revistas e emissoras de televisão e de rádio.
“Uma postagem nas redes sociais pode ser opinião, mas um conteúdo impulsionado é mídia e, por isso, tem de observar as mesmas regras aplicadas aos veículos de Comunicação e às organizações jornalísticas”, destacou. Além disso, no encontro, que foi promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), Pimenta falou em favor da aprovação do Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como PL das Fake News.
Marcelo Rech, presidente-executivo da ANJ, também defendeu a legislação e a remuneração de conteúdo jornalístico por parte das plataformas, que pode ser votada por meio do PL 2370/2019. Segundo ele, a melhor forma de combater a desinformação e a retórica de ódio na internet é “valorizar o Jornalismo profissional”. O dirigente ainda destacou que, em países que contam com essas regulações, todo o ecossistema do setor de informações é beneficiado.
Deserto de notícias
Segundo o ministro-chefe, o Jornalismo local está sendo “sufocado” pelo mercado que sustenta as atividades de redes sociais e motores de busca. Esse movimento, na opinião do político, é “pouco favorável à democracia e resulta nos desertos de notícias”. “Temos a convicção de que neste momento histórico não podemos abrir mão da nossa soberania e nos sujeitar a esse modelo de negócios”, disse.
Ele ainda destacou que uma das primeiras medidas de sua gestão foi “implantar uma política justa de distribuição de verba publicitária”, que reduziu gastos com leilões digitais. “Assim, trouxemos de volta os jornais, as revistas e as rádios”, afirmou. Pimenta comentou ainda que o governo promoverá uma Comunicação que observa as questões locais, regionais e de diversidade.

