A grande polarização política da atualidade é responsável pelo aumento de 34,2% do número de agressões físicas a jornalistas de 1º de janeiro a 15 de maio, em comparação ao ano passado, de acordo com um estudo publicado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A pesquisa ‘Silenciando o mensageiro: os impactos da violência política contra jornalistas no Brasil’ também revelou que, dessas ocorrências, 15,5% se deram em apenas um dia – 8 de janeiro -, quando ocorreu a invasão ao Congresso Nacional e aos Palácios da Justiça e do Planalto.
Apesar da atual conjuntura de mudanças, o gênero continua chamando a atenção no acompanhamento. Até o fim do período analisado, registraram-se 40 ocorrências de violência contra mulheres – cis ou transgênero – jornalistas, e investidas explicitamente sexistas contra comunicadoras, correspondendo a 36,6% dos ataques. Outro destaque da pesquisa foram as perseguições cometidas on-line, que representam um terço do total.
Relatório com novidades
Pela primeira vez desde o primeiro estudo, feito em 2019, a categoria ‘Agressões e ataques’ ultrapassou ‘Discursos estigmatizantes’, com uma discrepância de 46,8%. Nos últimos quatro anos, jornalistas foram vítimas, principalmente, de violência verbal e campanhas de descredibilização on-line. Em 2023, eles se tornaram frequentes alvos de agressões físicas, ameaças graves, intimidações, perseguições e episódios de roubo e destruição de equipamentos de trabalho.
Os principais perpetradores foram cidadãos anônimos envolvidos em atos antidemocráticos e ataques on-line, totalizando 48,6% dos casos. Essa foi outra diferença em relação ao ano passado, que teve agentes estatais como protagonistas de agressões contra profissionais de imprensa.
A pesquisa também traz um levantamento inédito do comportamento de parlamentares do novo Congresso Nacional nas redes. Além de compilar dados sobre menções e ataques à imprensa em suas contas do Twitter, há uma análise inédita sobre quais são os principais agressores contra jornalistas na rede. O estudo completo pode ser conferido neste link.

