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Estudo revela que 65% dos consumidores não sabem distinguir uma foto falsa

Tecnologia que costumava ser de difícil acesso se tornou, recentemente, mais acessível

Há alguns anos, quem fizesse edição de vídeos, áudios e imagens precisava ter conhecimentos técnicos intrínsecos para manusear esses arquivos. Hoje, com a propagação da Inteligência Artificial (IA), mais pessoas passaram a ter acesso a múltiplas técnicas, o que colaborou para a disseminação de notícias ou conteúdos fraudulentos. A pesquisa ‘Meet me in the metaverse’, da Accenture Technology Vision 2022, trata disso. Ela mostra que 65% dos consumidores no mundo todo não têm capacidade de identificar materiais – fotografias e vídeos – produzidos por deepfake, ou seja, com a ajuda de IA.

Como funciona essa tecnologia

O termo deepfake nasce da junção das expressões anglófonas ‘deep learning’ (aprendizado profundo) e ‘fake’ (falso). Seu funcionamento consiste na combinação de imagens ou sons humanos – baseando-se em técnicas de IA – à fala ou ao contexto de outra gravação verdadeira. Os frutos são convincentes peças, como um vídeo em que Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, anuncia rendição à Rússia, uma foto em que o Papa Francisco veste um casaco chamativo e as inúmeras montagens fotográficas do que teria sido uma truculenta prisão do ex-presidente estadunidense Donald Trump, em Nova Iorque.

A deepfake se tornou, recentemente, um tema em constante debate na sociedade brasileira. Na novela Travessia, da TV Globo, retratou-se uma personagem que, por meio de uma montagem que usava essa tecnologia, foi tachada de raptar crianças. Além disso, houve, mais recentemente, o caso da propaganda da fabricante de veículos Volkswagen, que usou a IA para recriar e inserir, em um anúncio, a cantora Elis Regina, que performou a canção ‘Como nossos pais’, de Belchior, junto à filha, Maria Rita. A propaganda gerou discórdia na internet e rendeu à marca alemã um processo ético no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

O que dizem especialistas

Filipe Bento, CEO da Br24, produtora de conteúdos sobre Bitrix24 – espaço de trabalho conjunto que lida com aspectos de operações e tarefas diárias -, opina que, “hoje, o sistema de construção de deepfakes está tão aprimorado que o reconhecimento do que é ‘true’ (verdadeiro) e do que é ‘fake’ (falso) pode se tornar uma tarefa bem difícil”. De acordo com o executivo, quando essa ferramenta surgiu, por volta de 2014, sua utilização era mais complicada, graças à exigência de avançados conhecimentos de tecnologia. Todavia, à medida que ela foi evoluindo, alternativas mais fáceis de produção de materiais falsos começaram a aparecer.

Filipe alerta que, se as empresas não tiverem cautela, correm o risco de serem atingidas pelo uso da tecnologia. Os principais alvos dessa prática são figuras públicas cujas imagens ou cuja voz está amplamente disponível na internet – como Donald Trump, o Papa Francisco ou Volodymyr Zelensky. “Uma vez vítima, não há muito o que possa ser feito, porque a deepfake tem como característica principal a rápida velocidade de disseminação de foto, áudio ou vídeo”.

Por isso, a prevenção é o melhor remédio, conforme diz o CEO. Ele recomenda utilizar a ‘brand safety’ (segurança de marca), conjunto de práticas que visam proteger empresas de pessoas e cenários malquistos. “Entre as principais medidas, destaque para fazer uso de tecnologia de adtechs, inclusive de pré-checagem, em que é possível filtrar antecipadamente qualquer desconfiança de tráfego inválido”. Filipe também aponta que os embaraços não estão somente relacionados à reputação. Em nome de uma companhia, hackers podem fazer uma coleta de informações de seus clientes, prejudicando-os e colocando o negócio em situações adversas perante a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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