No final de julho, Elon Musk decretou a mudança de nome do Twitter para ‘X’, bem como a identidade visual. A nova logo traz, ao invés de um passarinho branco em fundo azul, a letra ‘x’ em preto. A intenção, de acordo com a CEO da empresa, Linda Yaccarino, é mostrar que a plataforma agrega áudio, vídeos, mensagens, pagamentos e serviços bancários. Agências e analistas de marca avaliam, porém, que essa alteração eliminou de US$ 4 bilhões a US$ 20 bilhões do valor da companhia.
“Levou mais de 15 anos para ganhar tanto patrimônio no mundo. Então, perder a marca do Twitter é um significativo golpe financeiro”, avalia Steve Susi, diretor de Comunicação e Branding da Siegel & Gale – empresa de estratégia e design de marca dos Estados Unidos. Além disso, a popularidade do nome deu origem a verbos como “tweetar”.
Desta forma, a organização precisará reconstruir essa atração cultural e consenso linguístico do zero. No entanto, essa pode ser parte da motivação, para que os usuários parem de comparar a rede social com que ela era antes da aquisição por Musk. Apesar de outras gigantes da tecnologia também terem modificado os nomes nos últimos anos, como o Google, que virou a Alphabet Inc, e o Facebook, que se transformou na Meta Plataforms Inc., os produtos permaneceram como eram.
Valores
A consultoria independente Brand Finance estima que o Twitter tenha um valor de marca de US$ 4 bilhões. Já a instituição de ensino superior privada dos EUA, Vanderbilt University, vê que essa cotação seja entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões. Apesar dessa cifra ser difícil de calcular, pois não há uma única abordagem, vários analistas concordam que a companhia teve um impacto significativo desde que Musk assumiu o controle.
A Brand Finance, por exemplo, estima que o Twitter tenha perdido 32% do valor da marca desde o ano passado. Com a mudança na percepção da empresa, muitos anunciantes saíram, pois ficaram preocupados com as atitudes controversas de Musk e de como ele parecia incentivar os tweets que violassem as regras de conteúdo. Assim, conforme o próprio dono da rede, as receitas de Publicidade caíram 50% desde outubro.
“A marca corporativa do Twitter já está fortemente entrelaçada com a marca pessoal de Musk, com ou sem o nome X, e muito do valor da marca estabelecida pelo Twitter já foi perdido entre os usuários e anunciantes”, disse Jasmine Enberg, analista da Insider Intelligence (empresa de pesquisa de mercado norte-americana). Para Allen Adamson, cofundador da consultoria de Marketing e Branding Metaforce, é uma alteração “completamente irracional do ponto de vista comercial e de marca”.
Além disso, a Vanderbilt University entende que isso pode ser um risco para as pretensões de Musk, como incorporar serviços bancários e pagamentos. Por outro lado, o bilionário tem um ponto a seu favor: o seu nome. Todd Irwin, fundador da agência de branding Fazer acredita que: “Sua marca pessoal pode ser mais forte do que a do Twitter”.
