Em pesquisa realizada pelo Reuters Institute em 12 países, constatou-se que, apesar das jornalistas mulheres constituírem 40% dos profissionais que trabalham em redações, somente 22% dos cargos de chefia são ocupados por elas. Inclusive, ao considerar as análises individuais, a maioria dos países que integram o ensaio possui uma predominância masculina entre as lideranças. No Brasil, porém, a situação é ainda mais preocupante, visto que, em 2023, apenas 13% das profissionais ocupam cargos elevados.
Vale ressaltar que a porcentagem de líderes mulheres nas redações brasileiras estava em queda desde 2021, quando se chegou a 12%, ante os 22% de 2020. Em 2022 o número baixou para 7%, antes de subir novamente neste ano. Apesar do aumento de seis pontos percentuais, estar abaixo da média global não é um sinal positivo. Em termos de usuários de notícias on-line no Brasil, apenas 27% afirmaram obter notícias de grandes veículos com mulheres como principais editoras.
Em relação aos outros mercados, o México é a nação com a maior desigualdade entre os cargos por gênero, com 95% das posições mais relevantes sendo dominadas por homens. Apesar dos Estados Unidos obterem o maior percentual de igualdade, com 44% das jornalistas preenchendo os cargos de maior importância, nenhuma outra nação analisada possui tantas mulheres no comando.
Outro ponto trazido pelo estudo está relacionado ao Índice de Desigualdade de Gênero das Nações Unidas (UN GII). Mesmo em países com boa pontuação no ranking, as mulheres ainda não encontram espaço entre os principais editores. Segundo o levantamento, isso indica uma fraca correlação positiva ao se examinar a igualdade de gênero nas sociedades como um todo e a porcentagem de mulheres em altos cargos editoriais.

