Desde o último sábado, 7, os olhos do mundo se voltam a Israel, quando o país amanheceu sob ataque do grupo palestino Hamas. De acordo com os mais recentes balanços publicados, 1.830 pessoas morreram nos dois lados da guerra e quase 7 mil estão feridos. É nesse contexto que vive o jornalista gaúcho Bernardo Schanz, que desde 2005 mora na nação judaica. Ele, que é CEO e cofundador do portal Israel de Fato, especializado em notícias sobre aquela região, conversou com a reportagem de Coletiva.net sobre a cobertura do conflito.
“Surreal”, é assim que o jornalista caracteriza o trabalho. “Este é o termo que melhor define como está sendo. Ninguém jamais poderia imaginar que algo nessa magnitude pudesse ocorrer”, pontuou. Embora resida em uma cidade do norte isralense, que não tem sido alvo do Hamas, a tensão que vive junto com a família é grande, uma vez que Israel é um território pequeno. Assim, “por mais que você não esteja sob ataque, alguém muito próximo seu está”, comentou.
O episódio é algo único na vida de Bernardo e de Israel, que nunca tinha visto, de acordo com ele, tantos israelenses mortos em um único dia. Por conta disso, tudo é diferente e o ato de comunicar se torna uma “missão” muito maior e mais importante. “A guerra exige fatos concretos, cuidado, e estamos procurando fazer da melhor forma possível no Israel de Fato. Em meio à necessidade de cuidar de nossa família, de nossa casa, de nossos próximos, precisamos também contar o que está acontecendo aqui”, explicou.
Embora a cidade em que more não tenha sido alvo de ataques, alguns foguetes chegaram a municípios a 20 quilômetros de distância. No entanto, todo o impacto da guerra é sentido da mesma forma: “A tensão, o silêncio, as aulas canceladas em todo o país, o contato em tempo integral com amigos do sul”. Apesar disso, Bernardo e sua família – esposa, um filho e outro chegando – não pretendem retornar ao Brasil. “Aqui é nossa casa”, afirmou.

