A ignorância é uma escolha ou uma consequência. Mas também pode ser uma agenda, um projeto, uma causa. Escolher ignorar um assunto ou, pior ainda, optar por desconhecer algo dependendo de quem venha e, a pior de todas as coisas, negligenciar um tema relevante por motivo ideológico, religioso ou sobrenatural, parece ser uma bênção, mas é só lavagem cerebral mesmo. Ignorance is a bless, dizem, mas maybe you’ve been brainwashed too. Em inglês fica mais fácil, em português mais agressivo. Então, em alto e bom tom: NÃO SEJA BURRO, ACREDITE NOS MÉDICOS E ESPECIALISTAS!
Tudo bem, não precisava o Caps Lock. Mas o terror já está instaurado, o pânico na rua e uma iminência de caos social que chega em forma de vírus é a realidade que temos para o momento. Eu queria acalmar, ser mais calmo, mas paciência não é uma virtude. Mas vou escrever a vocês o que é uma virtude: eu acredito nas coisas. E graças a isto, o pânico diminuiu. O coronavírus é grave, uma realidade, com uma impressionante capacidade de propagação. Se a taxa de letalidade ainda é baixa, levando em conta o número de pessoas que morre depois do contágio, a velocidade com que ele se espalha assusta.
O primeiro caso de coronavírus no mundo foi no final de dezembro. Estamos em março. Dei uma olhada nos países com casos. Não há uma aparente conexão que possa mapear a propagação do vírus. Ou seja, há um desconhecimento sobre as coisas. Os sintomas são os mesmos de uma gripe. O sistema de saúde pública pode colapsar diante das informações desencontradas. Tudo parece parar. Entretanto, no meio de tanta desinformação – e de tanta gente prestando desserviço enorme em nome de uma suposta ideologia que coloca o coronavírus como uma falácia, uma mentira ou até, em casos extremos, uma medida para desestabilizar a economia mundial -, só me parece prudente prevenir. Prevenção. É a única coisa que sabemos no meio de tantas coisas desencontradas.
O coronavírus está aí. De uma forma que nunca vimos antes. Para se ter uma ideia, a Olimpíada de Tóquio deve ser cancelada. Os Jogos Olímpicos sobreviveram à Guerra Fria, ao terrorismo, a atentados, às guerras diplomáticas. A única vez em que tivemos uma quebra de periodicidade nas Olimpíadas foi no período da Segunda Guerra Mundial. A dimensão do que temos é enorme. E, em tempos de ignorância, a melhor coisa que podemos fazer é nos informar. Saber o que está acontecendo. Evite aglomerações. Tente ao máximo cuidar da higiene. Lave as mãos. Se o vírus existe, só conhecimento e sabedoria farão com que ele não se torne uma epidemia maior do que essa que estamos vendo. Em tempos caóticos e pós-modernos, sabedoria é álcool gel.
