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O dilema das redes é nosso

Por Anelise Zanoni

Disponível na Netflix, o documentário Dilema das Redes entrou em pauta nas últimas semanas por ligar uma grande luz de alerta sobre nossas vidas: estamos sendo manipulados o tempo todo!

Assisti o filme semana passada e confesso que não fiquei muito surpresa com o que vi, afinal já venho estudando a mídia há muitos anos. O longa-metragem, entretanto, me trouxe uma grande reflexão: o dilema das redes é nosso, e não das redes!

Por isso, vou explicar o que penso. O Dilema das Redes causa euforia, medo e surpresa porque o filme sugere ao usuário se desconectar de Facebook, Twitter, Instagram e outras plataformas se quiser ser uma pessoa livre de escolhas e repertório.

Para chegar nesta conclusão, eles trazem excelentes argumentações e explicações sobre como as ferramentas funcionam. O conteúdo levanta um alerta sobre a capacidade de criação da inteligência artificial (que nem eles sabem onde poderá levar os negócios) e da importante relação da psicologia na construção de estratégias tecnológicas. 

Na verdade, o trabalho das empresas de redes sociais é perfeito. Mas as consequências de tanta tecnologia e estudos sobre como nosso cérebro funciona são diversas e algumas delas nem imagináveis. E uma variável muito grande destas consequências é de nossa responsabilidade.

Há poucas décadas falava-se que a TV manipulava as pessoas. A quantidade de anúncios, mensagens subliminares e imagens ficavam coladas no nosso cérebro. A gente produzia atitudes esperadas pelas empresas. Então, o assunto não é novo.

O que precisamos entender é que o conteúdo propagado tanto pela TV quanto pelas redes sociais é, em tese, gratuito, mas isso tem um preço alto. 

As redes sociais são um negócio no qual não pagamos. Logo, quando aceitamos utilizá-las, também dizemos sim para que sejamos o produto deste grande negócio. Afinal, ninguém trabalha de graça. É o risco que corremos para ter todas as facilidades na palma da nossa mão. 

Não é preciso vender a TV de casa e viver desconectado do mundo virtual para estar livre deste sistema. É preciso pensar um pouco e agir de forma diferente.

Estamos entregando o celular cada vez mais cedo para nossas crianças (eu inclusive!), nossos jantares são iluminados pelas telas, quando estamos com os amigos nossos olhos continuam mirando as notificações. Se uma criança chora, não oferecemos chupeta, mas o telefone. Queremos registrar tudo o que fazemos, o que comemos, o que pensamos!

Estamos realmente viciados, porque as redes nos oferecem recompensas com likes, comentários e visualizações. Então, o dilema das redes é nosso também!

O vício sempre traz recompensas, mas se usamos com moderação, seremos livres e felizes.

O álcool, por exemplo, é um dos maiores vilões na vida das pessoas quando o assunto é vício. Mas se você bebe uma garrafa de vinho por semana não pode ser considerado viciado, mas um apreciador. Para as redes sociais, a lógica é a mesma. 

Não precisamos eliminar as redes sociais, mas saber dosar e principalmente ser mais crítico em relação ao conteúdo que é oferecido. Por isso, tenha horário para as redes, elimine notificações, não dependa exclusivamente da tecnologia para ser feliz e se relacionar com as pessoas.  

E o que fazemos com as crianças? É hora de conversar mais, brincar mais, conhecer os próprios filhos. Claro, se formos oferecer o celular, podemos delimitar horário e restringir conteúdo.

Quando digo que o dilema das redes é nosso, quero deixar claro que a responsabilidade por este caos que vivemos hoje é nosso também. E, sem dúvida, das grandes empresas, que precisam estar atentas para banir a propagação das fake news, do conteúdo inadequado, das redes de pedólatras, etc…

O problema da tecnologia existe, mas só será reduzido se houver uma ação conjunta entre nós e eles.

Autor

Anelise Zanoni

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