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Aconteceu na Cracóvia

Por Marino Boeira

A Polônia nunca esteve entre os meus destinos preferenciais na Europa, mas naquele inverno de 2015 tínhamos planejado um roteiro pelo Leste Europeu de carro a partir de Berlim. A  Cracóvia ficava no caminho até Praga e Budapeste, os alvos principais, e resolvemos passar dois ou três dias na cidade do Karol Vojtila, o Papa João Paulo II.  

Nunca vou me arrepender dessa decisão.

Cracóvia é a segunda maior cidade da Polônia e já foi até a sua capital.

É uma cidade com cerca de 700 mil habitantes e um centro histórico que remete ao seu passado medieval a tal ponto que é considerado pela UNESCO como patrimônio cultural da humanidade.

Eu tinha planejado duas excursões por arredores da cidade para conhecer o antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau e a antiga mina de sal de  Wieliczka.

Como o tempo era curto, tivemos que optar por um dos dois programas. Já que tínhamos visitado outro campo de concentração nazista, o de Sachsenhausen, em Oranienburg, próximo de Berlim, optamos pela mina de sal e, mais uma vez, fizemos uma boa escolha.

A mina abastecia de sal a Europa toda desde o século 13 e só foi desativada em 1996.

Ela tem até 327 metros de profundidade, 287 quilômetros em centenas de túneis e, inclusive, um lago interior, mas o que leva o local a ser um dos mais procurados pelos turistas em toda a Polônia, são as esculturas feitas na rocha pelos mineiros que trabalharam durante séculos na mina, representando momentos da sua atividade, com os instrumentos de trabalho e os cavalos que ajudavam nesse trabalho.

O clímax desse roteiro pelos corredores da mina é a Capela Santa Cunegunda, a padroeira dos mineiros. Mais do que uma capela, é uma imensa igreja subterrânea.

Para chegar até a Catedral, você precisa usar, inicialmente, o elevador que no passado servia aos mineiros e depois descer centenas de degraus de escadas.

O acesso ao elevador é controlado por um funcionário que possivelmente só saiba o polonês e que vai contando os visitantes até chegar ao número máximo permitido. Quando a Rosane e o Conrado, que estavam comigo, entraram no elevador, formou-se um pequena confusão, porque ele obviamente não entendeu quando tentei explicar que estávamos juntos e não íamos nos separar exatamente quando íamos nos preparar para aquele mergulho numa mina profunda.

– Estamos juntos… together – brasileiros… please.

Bom, a solução foi a Rosane e o Conrado saírem do elevador e esperamos juntos (together) a próxima viagem.

O  Conrado aproveitou para mais uma gozação comigo.

– Na hora da necessidade, o pai aprendeu mais uma palavra em inglês, together.

Até então, nos restaurantes, depois que ele fazia o seu pedido, eu acrescentava – the same for me.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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