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Bandeiras

Por Fraga

Preteou a coisa pro nosso lado, o lado de quem vive num estado crítico: já são 11 regiões do RS com a bandeira preta, ao lado da vermelhidão das restantes.

Não foi fácil chegar a esse embandeiramento assustador: as autoridades tiveram que se curvar bem curvadas às forças empresariais. Elas exigem manter a saúde da economia a qualquer custo, inclusive o de vidas humanas.  É a prioridade da cogestão, onde manda quem pode e se fode quem é mandado.

A cogestão nada mais é que uma mistureba de gestores, todos especializados em bagunçar gestões. Eles se reúnem ao redor de grandes mesas, onde a sensatez não tem assento, e decidem o que é mais vantajoso para eles mesmos. Gestam planos descarados com suas caras desmascaradas. Assim, sem pouco ligar pro colapso hospitalar, combatem o que pode ser combatido na pandemia: a opinião esclarecedora dos especialistas em saúde pública. Nisso são amparados pela dupla Bozuello.

Mas o governador e os prefeitos pretendem fazer tudo que estiver ao seu alcance: hastear bem alto as bandeiras pretas. É possível que descruzem os braços e até planejam erguer mastros grandiosos para embandeirar zonas mortais. Serão úteis: vão simbolizar o crescente luto gaúcho.

Num território todo embandeirado de preto e vermelho, a covid se sente casa – e já surfa em direção à terceira e quarta onda. Que para cogestão não passam de marolas. Daí o empenho dos gestores pelo abrandamento das restrições, desde o comércio ao ensino.

Só falta desfraldar a bandeira branca para aglomerações.

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Fraga

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