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As motivações da esperança

Por Elis Radmann

O otimismo está associado à esperança. Uma pessoa otimista é movida pela crença de que as coisas irão melhorar. Esse tipo de pessoa está sempre sonhando, projetando conquistas e acreditando que chegará lá.

As pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião sinalizam que metade dos gaúchos estão otimistas com o futuro e a esperança é a palavra que mais se destaca nas narrativas dos entrevistados. Agora, se o otimismo se baseia na esperança, qual é o alicerce da esperança?

Analisando o discurso dos entrevistados, verificou-se quatro grandes lógicas de argumentos:

a) o primeiro e maior grupo tem uma motivação cristã ou religiosa. Quando falam em esperança, citam Deus, relatam sua espiritualidade, crença ou religião. Creem que a esperança é fundamental para alimentar a alma e avaliam que ela age como uma alavanca para se ter fé em dias melhores. 

b) o segundo grupo traz na justificativa a sua autoestima pessoal. Acredita em si mesmo, em sua capacidade de superação e aposta na evolução de seus estudos, na progressão de sua carreira profissional ou conta com a parceria incondicional do amor de sua vida. Sua esperança está alicerçada em sua trajetória de superação, no relato de sua própria história pessoal. É perseverante e utiliza as experiências que a vida lhe proporcionou como alento e renovação da esperança.

c) os argumentos do terceiro grupo estão ligados à força da família. Esse grupo traz a ideia de que sua esperança está assentada na união de sua família, é o discurso de quem “confia nos seus”, de que as coisas vão melhorar pois a maior parte da família está bem, tem saúde e está prosperando. Esse grupo relata uma cultura de apoio mútuo, elementos de identidade e integração.

d) o quarto grupo é aquele que exprime um sentimento de pertencimento comunitário, mostrando que sua esperança é resultante da perspectiva de um mundo melhor, da eleição de um candidato que pode trazer conquistas econômicas e sociais ou da empatia com a evolução dos que estão a sua volta. Esse grupo exprime uma maior identidade com sua comunidade ou com as causas coletivas e confia no ser humano de forma geral.

Sintetizando a jornada de análise, podemos compreender que o otimismo está baseado na esperança que é motivada por uma cultura cristã, inserida em nossa identidade, em nosso DNA social. Aprendemos a olhar o mundo por esta perspectiva e esperamos que as coisas melhorem e atribuímos isso a Deus, confiamos nosso futuro e nossa evolução a Ele.

Os que não olham o mundo pela janela da cultura cristã, se utilizam de elementos e atributos dessa mesma cultura para explicar a força da esperança em sua vida. Contam casos de superação, resiliência e evolução. Destacam a força da união, do amor e da solidariedade, pensando em sua família ou comunidade.

Os otimistas enxergam o futuro com a lupa da esperança depositando confiança e fé nas pessoas.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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