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Na reta final, mais terror psicológico do que propostas

Por Elis Radmann

Em uma eleição polarizada, com dois candidatos extremistas, temos vários tipos de comportamentos: os eleitores que disseminam o terror, os que se assustam, os que não estão interessados em acusações e aqueles que não concordam com esse tipo de campanha.

Os ataques entre os dois candidatos estão ocorrendo no campo formal e no campo informal. E isso está afetando o tratado de “não agressão” que existia em muitos grupos de WhatsApp no primeiro turno. Na prática a temperatura subiu, a tensão aumentou, os candidatos elevaram o tom e a disputa está indo para uma lógica de “vale-tudo”.

Neste segundo turno, nos programas e nas inserções ao longo do dia, os candidatos à Presidência da República estão alternando suas falas, entre o tom moderado e as críticas mais contundentes ao adversário.

No primeiro turno, Lula fez 16 ataques no horário eleitoral e Bolsonaro fez 14, na chamada campanha oficial que passa na televisão e no rádio. Neste segundo turno está taco a taco, um ataca de um lado e outro ataca de outro, em uma guerra de narrativas.

Tanto a campanha de Lula quanto a de Bolsonaro estão levando os ataques mais tensos, que geralmente ocorrem na rede de esgoto, para a campanha oficial. Sabe-se que historicamente o segundo turno gera decisões acirradas, mas a eleição de 2022 é marcada pelo aumento da polarização e do terror psicológico, diminuindo a qualidade propositiva do debate.

Os ataques ganham mais destaque do que as propostas e as Fake News se proliferam. Bolsonaro chama Lula de ladrão, de ex-presidiário, de líder de voto nos presídios e garante que ele não vai vencer. Lula chama Bolsonaro de canibal, de miliciano, de negacionista e tenta carimbar sua família como corrupta. Ambas campanhas estão baseadas na divulgação intensa de conteúdos que pretendem manchar a imagem de um ou de outro candidato.

A campanha de Bolsonaro aposta na ideia de que o bolsonarismo é a última barreira de contenção ao retorno do petismo, tentando estimular eleitores mais conservadores que votaram em candidatos de terceira via.

A campanha de Lula tenta romper a barreira ideológica, buscando apoios de centro-direita e estimulando o preconceito e a ojeriza contra o bolsonarismo.

A campanha de ataques do campo informal é apelidada de “esgoto”, é aquela que é movida pela militância, seja nas ruas, nas redes sociais ou nos grupos de Whats. Na campanha de esgoto os ataques estão sendo mais pesados ainda, entram para o campo pessoal, são alimentados por distorções da verdade ou por muitas Fake News, trabalhando no psicológico das pessoas.

O primeiro debate da Band neste segundo turno também foi de ataques mútuos e a palavra mais trocada entre os dois foi em cima do termo “mentiroso”. Os adversários procuraram atacar a área mais frágil de cada um. Lula atacou Bolsonaro no tema pandemia e Bolsonaro atacou Lula na pauta da corrupção. Foi uma troca de farpas permanente falando do passado. No debate não houve atenção às propostas e a pauta econômica, tema tão importante para a população, que não foi devidamente discutida.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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