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O Leopardo

José Antônio Moraes de Oliveira

“Nós fomos os gattopardos, os leões e os que

nos substituirão serão os chacais, as hienas”.

Don Fabrizio, Príncipe de Salina.

 

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Separados por 400 anos, dois clássicos da literatura nos ajudam a refletir – e a entender – os detentores do poder em tempos de mudanças: ‘Il Principe’, de Niccolò dei Machiavelli e ‘Il Gattopardo’, de outro príncipe, Giuseppe Tomasi di Lampedusa. O primeiro foi escrito em 1513, quando a Itália estava fracionada em pequenos reinos e cobiçada por potências estrangeiras. O segundo livro aparece em 1957 na mesma Itália e descreve o comportamento da nobreza quando sopram os ventos da renovação. Por ironia ou coincidência, ‘Il Gattopardo’ retoma conceitos do maquiavelismo, ao afirmar que para sobreviver na política é preciso manter o Poder.

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Quem o diz não é um simples estudioso das ciências políticas, mas um membro da alta nobreza da Sicília. Em seu romance, Tomasi di Lampedusa lança um olhar sobre a história do poder na Itália. Homem de extensa cultura, sempre alimentou a ideia de escrever sobre a decadência da nobreza. No entanto, foram necessários 25 anos para concretizar o sonho, mas não viveu para ver sua obra-prima publicada. Como um novo Marcel Proust, seus originais foram recusados por um editor após outro.

Ao final, o tempo lhe faz justiça e ‘Il Gattopardo’ é consagrado como um clássico da literatura política. O livro se foca em um período tumultuado na história da Itália. É quando se esboça a revolução de Giuseppe Garibaldi, que visa unificar um país fragilizado e dividido em feudos regionais. Os novos ventos acendem a disputa entre modernidade e tradição, o choque entre a nobreza apegada aos velhos valores e o iluminismo inspirado pelos ideais da Revolução Francesa. A família nobre exposta por Lampedusa tem a efígie de um leopardo nos brasões do pallazzo, no frontão da igreja, na piazza e nos azulejos das mansões. Um símbolo da opulência que teme as ameaças que chegam com a República.

A figura central, o Príncipe de Salina, observa o Risorgimento, que sacode o século XIX e redesenha o mapa do Poder na Itália. Com a transição de uma velha ordem para uma nova, o Príncipe e seu sobrinho Tancredi são acometidos pela necessidade de se adequar aos novos valores. A lição de Tomasi di Lampedusa é que, em qualquer momento da História, é fundamental saber agir quando chegam as turbulências. ‘Il Gattopardo’ é sempre citado com foco no emblemático discurso do sobrinho de Don Fabrizio. Como um arruinado mas inteligente oportunista, ele incita o tio a abandonar antigas fidelidades e aderir às mudanças:

” – A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos,

eles nos submeterão à República.

Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude”.

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Autor

Redação Coletiva

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