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A instantaneidade da juventude

Por Elis Radmann

Se observarmos o comportamento da gurizada, vamos reparar que os jovens querem tudo para ontem e se frustram rapidamente se algo não der certo. Manifestam um comportamento motivado pela instantaneidade e acabam sofrendo mais de ansiedade, sofrendo literalmente! Em muitos casos, utilizam as redes sociais como espelho, sonhando em ter a vida das timelines, como se a vida fosse o reflexo das fotos da internet, em que as pessoas estão sempre passeando, comendo bem e curtindo a vida.

Quando olhamos para a juventude deste momento, temos que pensar na geração Z (mais ou menos entre 2000 e 2010), que são chamados de nativos digitais e se caracterizam pela hiperconexão.

Nas pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião com este público jovem se constata que, atualmente, o principal sonho de consumo dessa galera é trabalhar com a internet, com a inteligência artificial, ser um influenciador digital ou tiktoker. Enxergam mercados inimagináveis, como o de viajante profissional. Fazem contas básicas: se conseguirem ser influenciadores digitais e chegarem a 100 mil seguidores, poderão ganhar R$ 15 mil reais por mês e se atingirem 1 milhão podem receber R$ 24 mil por ação.

Quando se fica ouvindo os jovens durante as entrevistas fica claro que eles vivem o fenômeno da instantaneidade, pois nasceram e estão crescendo em um mundo instantâneo. O mundo deles é assim! 

Vivem conectados, gostam de tecnologia, fazem tudo por plataformas de aplicativos. Realizam compras, pedem comida, chamam transporte, quase não usam dinheiro físico e até o título eleitoral fazem de forma remota. Estão sempre ativos em aplicativos de mensagens, sabem o que está acontecendo no mundo sem assistir televisão aberta. Adoram “maratonar” séries nas plataformas de streaming e vivem acessando uma playlist no celular ou até mesmo no relógio digital.

Com o tempo, essa nova geração que está em formação irá ganhar a maturidade necessária para, em algum momento, se alinhar com o mundo real, que não vive apenas de curtidas. O maior problema é que o mercado de trabalho não tem a mesma paciência dos familiares destes jovens.

Para muitos profissionais experientes, a juventude é descompromissada, está sempre no celular e se irrita facilmente. Os jovens, por sua vez, acreditam que não precisam da mesma experiência dos mais velhos, sinalizando as defasagens do local de trabalho e a necessidade de avanços tecnológicos. Essa galera prefere trabalhos mais flexíveis, está sempre procurando por trabalho remoto e não tem problema em ficar mudando de trabalho. Acreditam que a mudança traz certo “crescimento pessoal”.

É como se a inquietude normal da juventude estivesse municiada de uma expertise digital que gera um ruído geracional mais intenso do que foi com outras gerações.

O nosso grande desafio social é construir o equilíbrio entre as gerações. As famílias precisam ter consciência de que seus filhos precisam compreender que há limites para tudo e que na vida temos que seguir um fluxo contínuo, em que de um lado recebemos e de outro nos doamos. Por outro lado, o setor produtivo terá que permitir mais liberdade de trabalho para estes nativos digitais, com lideranças se portando como mentores ou coachs.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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