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Estava escrito

Por José Antônio Moraes de Oliveira
 
 
 

“Há mais coisas entre o céu e a terra… “.

Wiliam Shakespeare.

***

Poucos entre nós tem a coragem necessária para encarar seus medos ocultos e futuros. Eu mesmo demorei até reconhecer o que mais me assustava. Uns companheiros tinham mais coragem e até brincavam com seus traumas – um deles não conseguia dormir no escuro. Outro tinha ojeriza a gatos e gelava quando ouvia um cachorro rosnar sem latir. Acreditava que era o aviso que algo ruim estava por lhe acontecer. 

***

Quando era um guri, era uma festa admirar os navios atracados no cais do porto. Mas ficava muito inquieto quando ouvia o marulhar das águas escuras correndo para o mar. E apertava a mão do pai quando ele contava de novo do estivador Malaquias que uma vez despencou de um guindaste e se afogou no fundo do rio. 

Meu medo de se afogar começou em um domingo de sol. Eu nadava na piscina do clube, quando alguém pulou do trampolim, me jogando para o lado mais fundo da piscina. O susto passou, o medo, não. 

O episódio ficou enterrado por anos, até que foram ler minha mão e meu futuro estava lá. Meu pai não gostava das ciganas que batiam nas casas da rua, pedindo para ler a buena dicha. Também não acreditava nas videntes que diziam ver o futuro. Mas a mãe pensava diferente, afirmando que conhecia pessoas que tinham visões difíceis de

Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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