O sonho de vida acaba em rascunho. A gente faz o que queria e o que nem sonhava. Eu deveria ser apenas um homem de teatro e também jornalista. A vida me levou e eis me aqui, dando a cara para bater num livro onde conto quantas portas a vida me abriu e, tão generosa, me doou tantos amigos cujas grandezas me engrandeceram. Prossigo, como me ensinou o poeta espanhol Antônio Machado, caminhando e fazendo o meu caminho. Por acaso – ou destino? – meu primeiro livro, Antonio”s, Caleidoscópio de um bar, abrigava muitas visões de um bar. Agora, eis que coloco aqui muitas visões de uma só pessoa, eu mesmo. Ainda citando Antônio Machado, este “Almanaque” se explica em versos: “Caminhante, são os teus vestígios o caminho, e nada mais”. MA.
Caminhante, são os teus vestígios
O caminho, e nada mais,
Caminhante, não há caminho,
Se faz caminho ao andar.
Ao andar se faz caminho,
E ao voltar a vista para trás
Se vê a senda que nunca
Se há de voltar a pisar.
Caminhante. Não há caminho.
Apenas rastros no mar.
(Tradução de Vera Veríssimo)
(“Orelha” do livro Almanaque do Camaleão)

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