Queria aqui lembrar apenas a minha primeira noite no Antonio’s, aonde não fui para ver os outros e nem para ser visto. Conversei longamente com um amigo, ou por outra, com alguém que eu havia conhecido há pouco tempo e que viria a se tornar um dos meus melhores amigos. Assim é o Antonio’s: um ótimo ponto de encontro. Faz vinte e três anos esta noite que o frequento, de vez em quanto, com prazer. Irineu Garcia já não vai mais lá, mas vai o meu amigo José Fernando Balbi, o doutor engenheiro; Mauro Salles, o publicitário; o Carlos Ary, o da seguridade social; o Lúcio Mauro, o ator; Eliana e Chico Caruso; o Edwaldo Pacote, o jornalista; o Chico Vargas e, muito eventualmente o Mário Pontes, ambos do JB (Mário Pontes, aliás, deveria frequentá-lo mais: afinal, no Antonio’s trabalha muita gente que, como ele, nasceu em Nova Russas, Ceará. Como o Milton, o barman, que está sempre me perguntando pelo Mário Pontes). Noite dessas encontrei lá o bom Hélio Bloch, numa animada mesa com Fausto Wolff e Francisco Paula Freitas homem das revistas da Editora Três .Às dez da noite o Hélio Bloch me levou e casa e, no caminho, me confessou que havia chegado ao Antonio’s na hora do almoço. Aí a turma foi chegando, o papo rolou e ele perdeu a noção das horas. No Antonio’s é assim: você chega e vai ficando. Só pode ser um bom lugar.
O lugar que o Irineu Garcia me levou, assim que cheguei ao Rio. Para que eu tivesse um motivo a mais para continuar vivendo aqui, além de Sônia, Gabriel e Tiago, e o sol e o mar. Tudo isso e o papo de fim de tarde ou de fim de noite, no bom sentido provinciano de que Gláuber Rocha falava. Antes que a cidade e o mundo acabem.
Antonio Torres, no livro “Antonio’s Caleidoscópio de um bar”

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