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Em 1957, fui para Porto Alegre dirigir um espetáculo para o Teatro Universitário, fiz amigos e, em 1960, com Paulo César Peréio, Paulo José …

Em 1957, fui para Porto Alegre dirigir um espetáculo para o Teatro Universitário, fiz amigos e, em 1960, com Paulo César Peréio, Paulo José e Milton Mattos inauguramos a nossa própria casa de espetáculos, o Teatro de Equipe, por onde também passaram, entre outros, Fernando Peixoto, Lilian Lemmertz, Luís Carlos Maciel e Ítala Nandi.

Afrontado com o equívoco da eleição de Jânio Quadros, escrevi e montei O Despacho, espetáculo sobre o qual Fernando Peixoto escreveria anos mais tarde: “Mario escreveu, em 1961, uma obra-prima da dramaturgia brasileira, que não ultrapassou as fronteiras do Estado. Uma obra profética: previa a crise política de 61 com minúcias e nomes”.

A tentativa golpista de impedir a posse legal de Jango, após a renúncia de Jânio, encontrou reação, principalmente no Rio Grande, e o Teatro de Equipe transformou-se no comitê de artistas e intelectuais pró-legalidade. Lá no Equipe, Lara de Lemos e Paulo César Peréio compuseram o Hino da Legalidade.

A partir do acordo parlamentarista que abortou o golpe e empossou Jango, o Brasil todo transformou-se num palco político, e engajei-me no processo.

O golpe de 64 encontrou-me na chefia de reportagem da Última Hora gaúcha, onde, inclusive, era o principal colunista. Dia 2 de Abril, quando Jango e Brizola resolveram ir para o Uruguai, fiz a maior molecagem de toda a minha vida: publiquei na minha coluna “Sem Censura” –, eu que nunca fui getulista, a carta-testamento e a foto de Vargas.

Enquanto o Exército se rebolava para apreender o jornal nas bancas, eu fugia. Graças à coragem e competência de alguns amigos – obrigado -, estou vivo.

Em maio de 64, Arlindo e Carmen Gomes de Souza deixaram-me em São Paulo.

Não sei escrever por metáforas. E, por isso, nem tentei, na ditadura, continuar na imprensa ou no teatro. Aceitei um convite do Piratininga para trabalhar em propaganda e, com 33 anos, comecei vida e profissão novas.

Às vezes, amigos dos velhos tempos perguntam-me se não tenho vontade de voltar a fazer o que já fiz. A resposta sempre é não, pois só tenho saudades, mesmo, é dos velhos tempos e dos mortos que amei.

Autor

Mario de Almeida

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