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Liberdade, liberdade

Nossa presidente, uma ex-guerrilheira, então supostamente lutando pela democracia, foi presa, torturada e acabou entrando para a política. Hoje, juntamente com o fundador do …

Nossa presidente, uma ex-guerrilheira, então supostamente lutando pela democracia, foi presa, torturada e acabou entrando para a política. Hoje, juntamente com o fundador do PT, Lula, e seus seguidores, entre os quais o presidente do PT, mais o senador do partido Lindbergh Farias, não se vexam de apoiar o governo do Maduro, que se diz um democrata. Nem a Dilma, que se diz alheia à política de outro país, se atreve a condenar o arbítrio que condena o pobre povo da Venezuela.

Um pouco de mim: nasci numa família paulista, em Campinas, com diversos tios e outros parentes que lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932. São Paulo foi derrotado. “São Paulo não esquece, não transige e não perdoa”. Mal crescia e, em casa, aprendia a lição mais importante de toda a minha vida: Liberdade. Depois do Estado Novo, ditadura getulista decretada em 1937, o clima, em casa, era de ódio a Getúlio. Não era uma posição política, era existencial. Getúlio acabou negociando com os Estados Unidos, o Brasil entrou na 2ª Guerra Mundial, os norte-americanos instalaram uma base em Natal, Rio Grande do Norte, o Brasil criou a Frente Expedicionária Brasileira e, na FAB, nossos aviões prometiam “sentar a pua”. Em 8 de maio de 1945, o Eixo rendeu-se aos “Aliados”, e os nossos  “pracinhas” voltaram vitoriosos dos campos da Itália. Assisti na Avenida São João, na capital, ao retorno do contingente paulista às suas cidades. Em agosto daquele ano duas bombas atômicas, uma em Hiroshima, outra dias depois em Nagasaki, lançadas pelos Estados Unidos, renderam o Japão que, de forma covarde e criminosa, havia atacado a ilha de Pearl Harbor, no Pacífico, e iniciado a guerra com os EUA. Os militares brasileiros, Exército à frente, chegaram à conclusão que não havia sentido ir à Europa derrotar o nazi-fascismo e manter uma ditadura aqui. Em 29 de outubro de 1945, fizeram Getúlio “renunciar” e, de trancos e alguns barrancos até a madrugada de 2 de abril de 1964, o país viveu em liberdade.

Mais um pouquinho de mim: apesar de achar a obra de Marx capital (trocadilho numa hora dessa?), nunca me submeti à força totalitária da URSS e quando ela invadiu a Hungria, Jean Paul Sartre, meu guru intelectual, resolveu assumir sua identidade libertária, abjurou suas crenças soviéticas e deu-me a certeza de que eu estava certo. Achava e continuo achando que em país pobre, ser de esquerda é uma postura ética e roubar país pobre é crime hediondo.

mario

No sentido horário, a senadora Vanessa Grazziotin, o senador Lindberg Farias (PT-RJ), Telmário Mota (PDT-RR) e Roberto Requião (PMDB-PR) | Divulgação: Roberto Requião

 

Os senadores Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lindbergh Farias (PT-RJ), Telmário Mota (PDT-RR) e Roberto Requião (PMDB-PR) desembarcaram no aeroporto internacional de Caracas, na República Bolivariana da Venezuela, onde foram saudar o feliz povo bolivariano que comemora uma inflação na faixa de 70%, vive num país hiperfarto de comestíveis, produtos de higiene e muitos outros supérfluos. Liberdade, liberdade, abre as asas sobre eles.

Inté.

Em tempo

Liberdade / Paul Éluard

Nas páginas lidas/Em todas as páginas brancas

Pedra sangue papel ou cinza/Escrevo o teu nome…

Autor

Mario de Almeida

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