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Liberdade?

Et par le pouvoir d”un mot Je recommence ma vie Je suis né pour te connaître Pour te nommer Liberté. « Aviso  aos carentes : se …

sem títuloEt par le pouvoir d”un mot

Je recommence ma vie

Je suis né pour te connaître

Pour te nommer

Liberté.

« Aviso  aos carentes : se você quiser ser aplaudido, entre para o PT e seja preso »

Esse pensamento ocorreu-me  quando li em O Globo que, na Convenção do PT, os correligionários, de pé, durante 3 minutos, aplaudiram João Vaccari, o tesoureiro preso indiciado na operação Lava-Jato. A frase serviu-me como epígrafe aqui em Coletiva.

Depois, por curiosidade, mandei a frase para «Cartas » de O Globo, onde não foi publicada. Acho que no jornal dos Marinho só o meu amigo Chico Caruso tem o direito de ser debochado, apesar de eu não ser debochado, pois debochada é a realidade.

Não sei o motivo, mas o episódio deu-me vontade de abordar um tema que sempre roça nas minhas ideias: a liberdade de imprensa. A nossa República apregoa, com razão, que vivemos, felizmente, num Estado onde impera a liberdade de imprensa, sem explicitar que essa liberdade limita-se aos donos dos veículos ou por quem eles são juridicamente representados.

Certa vez, em Porto Alegre, fui processado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul e, juntamente comigo, o diretor do jornal – Última Hora – eu pela minha coluna, Sem Censura e ele pelo editorial do mesmo dia (que eu também escrevera).

Quando perguntei ao meu amigo da vida inteira, o jornalista gaúcho que há muito tempo veio para o Rio e aqui ficou – Léo Schlafman – em que setor  estava no Jornal do Brasil, ele respondeu: “Eu escrevo o que o Nascimento Brito manda, sou a voz do dono”. Ele era editorialista.

O que escrevo agora pode parecer que não concordo com a dita liberdade de imprensa, mas eu concordo: se você quiser ter imprensa livre, seja dono de um veículo e respeite as leis vigentes. Se quiser engajar-se num jornal cujas opiniões são as suas, já houve órgãos além daqueles do Partido Comunista. No Rio, Carlos Lacerda foi dono da Tribuna da Imprensa, em São Paulo, o Correio Paulistano era propriedade do extinto Partido Republicano.

Às vésperas da Semana Santa deste ano, O Globo publicou uma matéria sobre uma empresa de Fortaleza/CE, que sob, encomenda, estava produzindo bonecos e bonecas cuja finalidade era a malhação ao meio-dia de Sábado de Aleluia, como manda a santa tradição. Domingo de Páscoa, abri o jornal, ávido para ler o que o povo do Ceará andara malhando na véspera e… nada! Ou seja, O Globo é um jornal contra o governo, mas tem uma receita própria de oposição.

Nossa liberdade de imprensa é relativa desde o número 1 do Correio Braziliense.

A imprensa brasileira é bicentenária e, por motivos óbvios, começou editada em Londres, em 1808, por José Hipólito da Costa. O Correio Braziliense, que pregava a Independência, era enviado ao Brasil de forma clandestina e, de há muito, seu editor é o patrono da imprensa brasileira. Nossos veículos, no Estado Novo e na Ditadura, não foram livres, a Censura era um covil de beleguins do arbítrio. No dia 2 de abril de 1964, quando Brizola e Jango não quiseram partir contra a Ditadura que se instalava, fiquei na chuva, aguardando a decisão, defronte à casa do Comandante do Exército, e dei-me conta que minha carreira de jornalista no Sul acabara. Corri para a Redação, fiz a matéria e fechei a minha coluna com chave de ouro, publiquei a foto, mais a Carta-Testamento de Getúlio – coisa impensável pelos golpistas e novos donos do poder – e fugi, mas ainda vi jipes do Exército recolhendo exemplares do jornal nas bancas.

Não sei quem foram os repórteres e fotógrafos que, no Brasil, viram, ao vivo, nossos Judas em chamas. E a todos jornalistas que, no exercício da profissão, foram castrados, o abraço de um jornalista que, um dia, foi processado pelo Estado do Rio Grande do Sul ao denunciar que o governo Ildo Meneghetti abriu para os Estados Unidos os arquivos do DOPS em troca de armas, veículos e apitos de guardas de trânsito. Título do artigo: Índio quer apito.

Inté.

P.S. Dilma promoveu a mandioca. E a crônica esportiva achou que a derrota do Brasil para o Paraguai foi vexame. Eu acho que quem achou isso deu vexame, pois essaa seleção não é de nada e talvez nem participe da próxima Copa. Viva a mandioca!

Eu também gosto. E você?

Autor

Mario de Almeida

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