A presidente Dilma, desde a saída do ministro Joaquim Barbosa do STF, num descaso constitucional, ainda não indicou o seu substituto.
O julgamento dos parlamentares indiciados no “petrolão” vai ser feito pela 2ª. Turma do STF, agora com 4 membros, desfalcada de 1 membro. Como em caso de empate o réu é absolvido, a omissão da presidente é potencialmente favorável aos julgados. Não sei se essa omissão é apenas (sic) displicência presidencial ou mesmo velhacaria.
Mudemos de assunto, pois o Rio registra 450 anos de fundação e isso não pode ser omitido.
A primeira vez em que vim morar nesta cidade – 1955 –, só vim depois de participar dos festejos do IV Centenário de São Paulo, 1954, cidade onde cresci.
No início de 1965, ano do IV Centenário do Rio, mudei-me definitivamente e aqui estou, um cidadão que, tendo gozado de muitas benesses da “cidade maravilhosa”, participa de sua atual problemática urbana e paga o fato de ter filhas e neta aqui nascidas, ou seja, eu que nasci em Campinas, fiquei adulto em São Paulo, trabalhei anos em Salvador, fiz teatro e jornal em Porto Alegre, onde vivi sete anos, hoje sou irremovível.
O Rio, nesses últimos 50 anos, mudou muito. Para pior. Quem fala em Segurança, deveria falar em Insegurança. Em 1957, o jornalista, escritor e acadêmico Antonio Calado escreveu a peça teatral Pedro Mico que, levada à cena, com direção de Paulo Francis, dava um recado claro: os morros vão ser protagonistas da violência urbana. Pois é, estamos em março e só com balas perdidas a cidade já achou 12 pessoas e matou três. Os morros onde há favelas, são ninhos de violência.
Como é impossível remover a Baía da Guanabara, poluíram a mesma e nenhum governo teve ainda a decisão política de despoluir. Por enquanto, só ameaças.
No final dos anos 1970, mudei-me para a Barra da Tijuca e da janela do meu apartamento via um trecho da Lagoa Marapendi, nos sábados, domingos e feriados enfeitado pelas velas coloridas de dezenas de windsurfs. Hoje, a visão é apenas da lagoa poluída, como também estão as outras da cidade, inclusive a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Num balanço positivo, o Jardim Botânico, apesar das moradias indébitas, é uma joia da coroa, a Floresta da Tijuca, herança de Pedro II, continua preservada, há muitas praias lindas, ganhou-se o Parque do Flamengo, ganhou-se o Aeroporto Tom Jobim, alguns túneis e linhas de trânsito non stop. A arquitetura moderna carioca tem ícones internacionais.
Há um patrimônio milenar como o mar, alguns morros como o Pão de Açúcar e Cão e se o Brasil fosse um país culto e civilizado, o Rio não teria sido agredido pelos seus moradores.
A UNESCO, que em 2012 elegeu o Rio como PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE, e meus 50 anos de carioquice me ensinaram que esta cidade é bipolar.
Inté.

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