Verissimo escreveu que um dos motivos que o fazem sair da cama ao acordar é o xixi. Idem. Já li que essa é uma determinação da idade e o filho do Érico, inda que mais moço que eu, já se inseriu na faixa do xixi matinal compulsório. Como idade não tem convalescença, a gente cumpre a sina e vai urinando manhãs a fora, inclusive. Por falar em Verissimo não foi o Luiz Fernando o primeiro do clã que conheci, pois há 58 anos , num sábado, Mafalda e Érico me ofereceram um almoço, pois eu namorava Vera, muito amiga da família.
Como andei escrevendo sobre xixi, que me aporrinha, lembrei aporrinhações atuais como o gosto do papa Francisco por dar palpite em tudo. Acho que o papa precisa criar um grupo de pauta, como se faz nas redações dos veículos e selecionar os assuntos que podem e devem ser abordados, assim como condenar os não palatáveis.
Exemplo: apesar das manifestações a respeito da bunda da Paolla de Oliveira (que não conheço), essa bunda se insere nos assuntos impróprios para o Vaticano, exceção feita para a Guarda Suiça.
De repente, não mais que de repente, há semanas, a imprensa carioca, através de charges, crônicas e notas, deu espaços para a bunda da atriz Paolla de Oliveira. Até Carlos Drummond de Andrade acabou sendo citado, considerando a bunda como um sinal gráfico de alegria
Comecemos pelo início, quando o colunista de O Globo, Joaquim Ferreira dos Santos, escreveu sua crônica semanal todinha sobre a bunda da atriz, que acabara de sair do ar, na Globo. O colunista, também de O Globo e recém eleito para a Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura, encantou-se com a crônica, e também encantado com a bunda da Paolla, escreveu sobre a mesma e lá se foi uma defesa estética da do belo atributo da toda formosa. A crônica não soube bem a uma amiga do também escritor – Branca Vianna Moreira Salles – que o acusou de referir-se de forma deselegante a uma mulher, sexo que, conforme ela, não precisa de mais achincalhes. A coisa, digo, a bunda, ainda acolheu outras manifestações e a revista Domingo, de O Globo, desabafou através do chargista Cláudio Paiva que sob o título “Não se fala em outra coisa” desenhou um diálogo entre dois homens num bar:
– A bunda da Paolla de Oliveira!
– E a cabeça da Graça Foster!
Enfim, felizmente, um momento generoso da natureza que poderia ensejar momentos grosseiros, percorreu espaços diferentes, mas educados e de bom gosto, respeitada a bronca da Branca Moreira Salles.
O assunto levou-me à minha primeira ida ao Museu do Louvre, em Paris, quando encarei a escultura maneta da famosa Vênus de Milo, a qual descobri, só conhecia por cartões postais e páginas de livros, sempre de frente!
Nada a opor à bunda da Vênus, mesmo depois da apologia feita a bunda da Paolla. Só não sei se a da Vênus foi tão aplaudida…
Inté.

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