Metalinguagem é a linguagem que serve para descrever ou falar sobre outra linguagem ou sobre a própria linguagem. (Síntese de diversos dicionários. M.A.)
Acordei em meio à madrugada, meio perplexo com o fato de existir, mas sem me dar conta de quem era e onde estava.
Levantei-me, comprovei que estive sozinho na cama e aturdi-me, pois, já bem acordado, esfreguei os olhos, mas, de fato, eu não sabia onde estava.
Sentei-me numa poltrona, ao lado da cama, estranhei a mim mesmo, estranhei os móveis, vi uma porta, levantei-me, tentei abri-la, não consegui e continuei não sabendo onde estava.
Olhei pela janela e a noite, escura, sem nenhuma luz ao alcance da vista, se escondia em profunda negritude.
Abri a outra porta, dirigi-me à pia do banheiro da suíte de onde estava, abri uma torneira de água fria e, com as mãos em concha, enchi-as e lavei o rosto tentando descobrir: – onde estava?
Voltei para a poltrona e, num exaustivo esforço de memória, procurei descobrir, sem resultado, a minha própria identidade.
Tentei colocar o pouco que via num outro espaço e nada.
Autor – Onde estou?
Texto – De acordo com o que você escreveu, você está numa suíte…
Autor – … mas quem sou eu?
Texto – Você parou de escrever sem dizer onde está, qual a sua identidade e ainda vai querer que eu diga o que você não disse?
Autor – Mas qual o motivo de você se meter a responder o que eu penso?
Texto – Assim como você tem todo o direito de se expressar, eu tenho o direito de expressar o que está acontecendo – e não acontecendo – … digamos que estamos vivendo um momento de democracia da linguagem.
Autor – Democracia da linguagem… acho que você não é bom da cabeça…
Texto – Se você tiver razão, então somos dois ruins da cabeça…
Autor – Tudo isso me parece muito mais com anarquia que com democracia…
Texto – Julgue como quiser… os fatos existem para serem nomeados, nenhum julgamento pode preceder o fato. Independentemente do que você acha, os fatos prescindem de julgamento, mas democracia, anarquia, ditadura são sistemas que existem… Isso são fatos.
Autor – Deixemos de papo furado, este sim, é um fato de agora… o que eu faço?
Texto – Quem inventou essa história toda de não saber quem é e onde está foi você mesmo.
Autor – Sim, mas eu, seja quem eu for, o que faço?
Texto – Sou apenas uma vítima incompleta de sua incapacidade de terminar um texto… Faça o que quiser.
Autor – Mas…
Texto – Vire-se. Fui.
Inté.
Este texto foi originalmente publicado em 10/09/2012

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial